Por Milena Verardo

Arthur Akel Ferraz desenha todos os dias. É assim desde pequeno: os lápis de cor espalhados na mesa, um caderno aberto, e o tempo passando sem que ele perceba. "O desenho me acalma, ocupa meu tempo e me faz viajar", diz Arthur. Foi ali, nesse hábito de infância, que nasceu "Arthur no Mundo das Cores que Falam", livro que ele escreveu e ilustrou sozinho e que a Editora Pé da Letra lançará na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorrerá entre os dias 4 e 13 de setembro de 2026.

A obra, voltada ao público infantojuvenil, usa as cores como linguagem para falar de sentimentos. Arthur é autista, e foi ele quem decidiu, sozinho, a forma como queria contar isso: "Como sou autista, eu quis falar dos sentimentos de um jeito diferente, e pensei nas cores. Pra mim, os sentimentos são coloridos", conta.

Estudante da Escola Oficina Pindorama, em Vargem Grande Paulista, Arthur deu ao protagonista do livro parte do próprio nome: Arthur "Tuco". As ilustrações da obra nascem da mesma disciplina diária de desenho que ele mantém há anos - um exercício que leva a sério e que, desta vez, ganhou a função de dar corpo visual ao universo do livro. Entre seus temas favoritos estão animais, paisagens e composições de cor; nas horas de leitura, é fã da coleção Vaga-Lume, uma de suas referências.

A rotina de Arthur também guarda espaço para mapas e países, documentários de animais e natação. Em casa, o livro teve companhia constante: "meus pais me apoiam", resume, sobre o que descreve como decisivo para a obra sair do papel.

Do livro, Arthur espera que fique uma ideia simples: a de que os sentimentos são coloridos e merecem ser entendidos e respeitados, assim como as diferentes formas de sentir e de se expressar. É o mesmo recado que deixa para outras crianças e adolescentes: "tenha força e garra, não desista dos seus sonhos - foi assim que eu fiz. Não tenha preguiça: faça tudo da melhor forma possível, dê o seu melhor."

O dia 8 de setembro marca também sua primeira Bienal do Livro. "Estou muito feliz e realizado, bem ansioso para o lançamento e para minha primeira Bienal", afirma. Na sessão de autógrafos, marcada para o estande da Editora Pé da Letra, promete não perder tempo: "quero conversar com todos que vierem me prestigiar." Para quem passar pelo estande, será a chance de ouvir dele mesmo, autor e autista, contar como pensou cada cor da história. O segundo livro, adianta, já está em produção, com lançamento previsto para o ano que vem.

A mãe de Arthur, Ana Carolina Silveira Akel, está orgulhosa do filho. Ela conta que Arthur está no nível 1 de suporte do espectro autista e atribui esse momento a um conjunto de fatores: a aceitação do diagnóstico, feito ainda cedo, a intervenção comportamental iniciada logo em seguida, o trabalho de profissionais dedicados e o apoio constante da família. Foi essa combinação, segundo ela, que tornou possível Arthur chegar até aqui e realizar o sonho de lançar seu livro.

Serviço: "Arthur no Mundo das Cores que Falam", de Arthur Akel Ferraz (Editora Pé da Letra). Sessão de autógrafos em 8 de setembro de 2026, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no estande da Editora Pé da Letra.