
O Brasil registrou 43.828 casos de desaparecimento de pessoas entre janeiro e junho de 2026, alcançando o maior número para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 2015. Os dados revelam que, em média, 242 pessoas desapareceram diariamente no país durante o período, o equivalente a aproximadamente dez ocorrências por hora.
O levantamento aponta um crescimento de 4,6% em comparação com os seis primeiros meses de 2025, quando foram contabilizados 41.888 desaparecimentos. Em números absolutos, o aumento representa 1.940 registros adicionais em apenas um ano.
A evolução dos indicadores também chama a atenção quando analisada em uma perspectiva de longo prazo. Em 2016, o Brasil havia registrado aproximadamente 35,7 mil desaparecimentos entre janeiro e junho. Dez anos depois, o volume de ocorrências aumentou cerca de 23%, evidenciando a persistência do problema em diferentes regiões do território nacional.
Crianças e adolescentes estão entre as vítimas
Os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) mostram que crianças e adolescentes constituem uma parcela expressiva dos registros de desaparecimento no Brasil.
De acordo com as informações mais recentes disponíveis, quase 13% das ocorrências envolvem pessoas com até 17 anos de idade.
Um levantamento oficial referente a 2025 identificou 14.815 registros ativos de desaparecimento de crianças e adolescentes ao término daquele ano. O número, entretanto, pode não refletir a dimensão completa do problema, uma vez que sete estados deixaram de encaminhar informações para a composição desse indicador.
A ausência de dados de todas as unidades da federação também representa um obstáculo para a consolidação de um diagnóstico nacional mais abrangente, dificultando o acompanhamento dos casos ainda não solucionados.
São Paulo lidera número de registros
Na distribuição por estados, São Paulo apresentou o maior volume de desaparecimentos durante o primeiro semestre de 2026, com 10.449 ocorrências, concentrando mais de 23% de todos os registros contabilizados no Brasil.
Minas Gerais aparece na segunda posição em números absolutos, com 4.864 casos, seguido pelo Rio Grande do Sul, que registrou 3.933 desaparecimentos. O Rio de Janeiro ocupa a quarta posição, com 3.364 ocorrências no período.
Os quatro estados somam 22.610 registros, correspondentes a mais da metade dos desaparecimentos notificados em todo o território nacional nos seis primeiros meses do ano.
Embora os números absolutos permitam identificar onde há maior concentração de ocorrências, a avaliação da incidência de desaparecimentos também exige considerar o tamanho da população de cada estado.
Cadastro nacional busca auxiliar na localização de desaparecidos
Como parte das iniciativas destinadas ao enfrentamento do problema, o Ministério da Justiça e Segurança Pública mantém, desde 2024, o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas.
A ferramenta reúne informações e imagens de pessoas cujo paradeiro é desconhecido, permitindo a integração de dados e o compartilhamento de informações que podem contribuir para as buscas e a identificação de desaparecidos.
O sistema também busca ampliar a circulação de informações entre os órgãos responsáveis pelas investigações, facilitando o cruzamento de registros provenientes de diferentes regiões do país.
Desaparecimento deve ser comunicado imediatamente
As autoridades orientam que familiares e responsáveis procurem a polícia assim que perceberem o desaparecimento de uma pessoa.
Não é necessário aguardar 24 horas para registrar um boletim de ocorrência. A comunicação pode ser realizada imediatamente, independentemente da idade da pessoa desaparecida.
O registro deve apresentar o maior número possível de informações, incluindo fotografia recente, características físicas, vestimentas utilizadas no momento do desaparecimento e detalhes sobre o último local onde a pessoa foi vista.
A rapidez na comunicação permite que as autoridades iniciem as diligências de localização sem atrasos desnecessários, especialmente em situações que envolvam crianças, adolescentes e pessoas em condições de vulnerabilidade.



