
O escândalo envolvendo o Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, ganhou novos contornos após a divulgação de documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontam movimentações financeiras consideradas suspeitas entre a instituição bancária e o portal de notícias Metrópoles, pertencente ao ex-senador Luiz Estevão.
De acordo com reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 9 de abril de 2026, o Banco Master transferiu aproximadamente R$ 27,2 milhões ao grupo Metrópoles entre 2024 e 2025. O montante chamou a atenção dos mecanismos de fiscalização financeira, principalmente pela forma como os recursos eram movimentados após chegarem às contas da empresa de comunicação.
Dinheiro era transferido rapidamente para empresas da famíliaUm dos principais pontos destacados nos relatórios do Coaf é o caminho percorrido pelos recursos.
Segundo os documentos, após receber pagamentos do Banco Master, o Metrópoles realizava transferências quase imediatas para outras empresas vinculadas a Luiz Estevão e a integrantes de sua família.
Entre as companhias identificadas nas movimentações estão a Madison Gerenciamento, a Sense Construções e a Macondo Construções.
A Madison Gerenciamento aparece como uma das principais destinatárias dos valores, conforme os registros analisados.
Para o Coaf, o padrão de recebimento seguido de transferência imediata levantou suspeitas sobre a finalidade das operações. O órgão apontou que esse comportamento poderia configurar movimentação de recursos em benefício de terceiros.
Os relatórios também classificaram os aportes realizados pelo Banco Master como incomuns, destacando movimentações consideradas incompatíveis com o faturamento médio mensal do portal.
Valores milionários levantam questionamentosAs informações divulgadas acrescentaram um novo elemento às discussões sobre as relações comerciais mantidas pelo Banco Master com empresas de diferentes setores.
No caso do Metrópoles, a análise concentra-se não apenas no volume financeiro recebido, mas também na velocidade com que os recursos eram redistribuídos entre empresas relacionadas ao mesmo grupo empresarial.
A identificação de operações atípicas pelo Coaf, entretanto, não significa necessariamente que tenha ocorrido crime. Os relatórios de inteligência financeira servem para apontar situações que podem justificar análises e investigações adicionais.
Luiz Estevão afirma que pagamentos eram de publicidade e patrocínio
Procurado pela imprensa, o ex-senador Luiz Estevão apresentou explicações para os repasses milionários.
Segundo o empresário, os valores correspondem a contratos comerciais envolvendo publicidade, ações de marketing e patrocínios esportivos do Banco Master e do Will Bank, instituição que integrava o mesmo conglomerado financeiro.
Entre as operações mencionadas estão patrocínios relacionados à Série D do Campeonato Brasileiro, direitos comerciais associados à competição e campanhas de divulgação das marcas.
Estevão também afirmou que a Madison Gerenciamento atua na administração dos recursos financeiros das empresas do grupo Metrópoles e defendeu a regularidade das transferências entre companhias relacionadas.
Caso amplia debate sobre transparência financeiraA divulgação das movimentações reacende o debate sobre a transparência das relações comerciais entre instituições financeiras, veículos de comunicação e grupos empresariais.
Embora a contratação de publicidade e patrocínios seja uma atividade legítima, operações classificadas como atípicas por órgãos de inteligência financeira podem levantar questionamentos sobre sua estrutura e finalidade econômica.
No caso dos repasses ao Metrópoles, a principal questão apontada pelos relatórios é a rápida circulação de recursos entre empresas vinculadas ao mesmo núcleo empresarial.
Até o momento, os documentos citados nas reportagens não permitem concluir que o portal Metrópoles ou seus dirigentes tenham cometido crimes em razão dessas transferências. A existência de movimentações suspeitas, por si só, não comprova irregularidade.
O episódio, contudo, acrescenta novos questionamentos sobre as operações financeiras realizadas pelo Banco Master durante o período em que esteve sob crescente escrutínio das autoridades.
A apuração e o esclarecimento da natureza dessas transações são fundamentais para determinar se os pagamentos corresponderam integralmente às relações comerciais apresentadas ou se existem elementos que justifiquem outras medidas investigativas.
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