
As eleições deste domingo, 4 de outubro, provocaram uma mudança significativa na composição do Senado Federal. Das 54 cadeiras colocadas em disputa, aproximadamente 32 foram conquistadas por candidatos identificados com a direita ou a centro-direita, segundo levantamento baseado na filiação partidária, posicionamento político e alianças dos eleitos.
A classificação ideológica não é realizada oficialmente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pode variar de acordo com o critério utilizado. O dado, portanto, deve ser entendido como uma estimativa política a partir do perfil dos candidatos eleitos.
Neste ano, foram renovados dois terços das 81 cadeiras do Senado. Cada estado e o Distrito Federal escolheram dois representantes para mandatos de oito anos. As outras 27 cadeiras pertencem a senadores eleitos em 2022 e não estavam em disputa.
PL aparece entre os principais vencedores
O Partido Liberal foi um dos principais responsáveis pelo crescimento da direita no Senado. Ainda durante a apuração, quando 32 senadores já estavam matematicamente eleitos, 16 pertenciam ao PL, demonstrando a força da legenda na disputa deste ano.
Entre os nomes eleitos pelo partido estão Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, no Distrito Federal; Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, em Santa Catarina; Fernando Máximo e Bruno Scheid, em Rondônia; Gustavo Gayer, em Goiás; Sanderson, no Rio Grande do Sul; Filipe Barros, no Paraná; e Eduardo Gomes, no Tocantins, além de candidatos escolhidos em outros estados.
Santa Catarina, por exemplo, elegeu Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL, para as duas vagas em disputa.
Em Rondônia, o partido também conquistou as duas cadeiras, com Fernando Máximo e Bruno Scheid.
No Paraná, os eleitores escolheram Filipe Barros, do PL, e Deltan Dallagnol, do Novo, dois nomes associados ao campo político da direita.
No Rio Grande do Sul, Sanderson, do PL, e Marcel Van Hattem, do Novo, foram eleitos. Ambos são identificados politicamente com a direita.
Já em Goiás, as vagas ficaram com Gustavo Gayer, do PL, e Gracinha Caiado, do União Brasil.
São Paulo também registrou vitória de candidatos ligados à direita e à centro-direita, com a eleição de Guilherme Derrite, do PP, e André do Prado, do PL.
Direita pode chegar perto de 48 cadeiras no novo Senado
A dimensão da mudança fica ainda mais evidente quando os vencedores deste domingo são somados aos 27 senadores eleitos em 2022, que continuam no cargo até 2031.
Levantamentos realizados durante a apuração apontavam para uma composição próxima de 48 senadores classificados no campo da direita, em um universo de 81 cadeiras. O número representa uma maioria numérica simples da Casa, embora não signifique que os parlamentares votarão de maneira uniforme em todas as matérias.
Partidos como PL, PP, Republicanos, Novo e setores do União Brasil concentram parcela relevante desses parlamentares. Há, porém, diferenças internas importantes entre as legendas, especialmente em partidos maiores e mais heterogêneos.
Senado ganha importância no cenário político
O avanço desse grupo político aumenta a importância do Senado na próxima legislatura.
Além de votar projetos de lei e propostas de emenda à Constituição, cabe exclusivamente aos senadores analisar indicações para cargos como ministros do Supremo Tribunal Federal, procurador-geral da República e dirigentes de diferentes instituições.
A Casa também possui competência constitucional para processar e julgar determinadas autoridades nos casos previstos pela legislação, o que fez da disputa pelas vagas ao Senado uma das prioridades de partidos e lideranças nacionais durante a campanha eleitoral de 2026.
A eleição renovou 54 das 81 cadeiras, e os novos senadores terão mandato de oito anos, com posse prevista para 1º de fevereiro de 2027.
Novo equilíbrio de forças
O resultado mostra que o Senado que emerge das urnas de 2026 terá composição diferente daquela observada durante a atual legislatura.
A direita sai fortalecida, enquanto partidos de centro e esquerda também preservam bancadas capazes de participar das principais negociações da Casa. A formação de maiorias continuará dependendo de articulações entre diferentes partidos, especialmente em matérias que exigem quóruns qualificados.
Com a renovação de dois terços do Senado, o resultado deste domingo deverá influenciar diretamente a relação entre Congresso, Presidência da República e Supremo Tribunal Federal a partir de 2027.
Em números: aproximadamente 32 das 54 vagas disputadas neste domingo foram conquistadas por candidatos classificados como de direita ou centro-direita. Considerando os senadores que ainda possuem quatro anos de mandato, levantamentos apontam para um bloco que pode chegar a cerca de 48 das 81 cadeiras do Senado Federal.
