
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para ampliar investigações envolvendo empresas relacionadas à operação financeira das casas de apostas credenciadas pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).
No documento, o parlamentar solicita que seja apurado se o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria mantido algum tipo de participação econômica, direta ou indireta, na estrutura empresarial ligada à RioPag S/A. A hipótese levantada por Lindbergh ainda depende de investigação e não representa conclusão de que o senador tenha participação societária ou financeira na companhia.
O novo pedido foi apresentado como aditamento a uma notícia de fato anteriormente encaminhada ao Supremo. Segundo a argumentação apresentada pelo deputado, seria necessário aprofundar o rastreamento da estrutura societária e financeira das empresas para identificar seus beneficiários econômicos finais.
A RioPag atuou no processamento dos pagamentos relacionados às casas de apostas autorizadas pela Loterj. A empresa ganhou projeção após uma disputa envolvendo aproximadamente R$ 20,9 milhões que, segundo a autarquia estadual, deveriam ter sido restituídos aos cofres públicos. Em julho, a Justiça do Rio determinou o bloqueio de até esse valor em contas da companhia, com transferência para uma conta judicial.
Deputado pede rastreamento de estrutura empresarial
Na representação, Lindbergh solicita que os investigadores identifiquem quem controlava efetivamente as empresas relacionadas à RioPag e quem teria recebido os resultados econômicos provenientes das operações realizadas com as plataformas de apostas.
O parlamentar também pede que seja examinada uma eventual participação econômica de Flávio Bolsonaro na estrutura. Até o momento, as informações públicas consultadas não demonstram que o senador seja acionista da RioPag; o pedido apresentado ao STF busca justamente apurar a existência ou não desse vínculo.
Reportagens anteriores identificaram o advogado Willer Tomaz como integrante conhecido da estrutura empresarial ligada à RioPag e registraram sua relação pessoal com Flávio Bolsonaro. A existência dessa relação, isoladamente, não comprova participação do senador nos negócios da empresa.
Caso envolve R$ 20,9 milhões
Outro ponto central da representação é o destino de aproximadamente R$ 20,9 milhões reclamados pela Loterj.
A autarquia informou anteriormente que os recursos permaneciam sob responsabilidade da RioPag e buscou judicialmente a restituição. Em julho, a 14ª Vara da Fazenda Pública da Capital determinou o bloqueio do montante. Na decisão, a Justiça considerou haver elementos indicando que os valores pertenciam à Loterj e tinham natureza pública.
Mais recentemente, em 23 de setembro de 2026, a Loterj decidiu rescindir unilateralmente o contrato mantido com a RioPag, encerrando a relação que concedia à companhia a prestação dos serviços de pagamento relacionados às bets credenciadas pela loteria estadual.
Pedido inclui dados bancários, fiscais e do Coaf
Entre as providências defendidas pelo deputado estão diligências destinadas a reconstruir o fluxo financeiro das empresas e identificar seus beneficiários finais.
Lindbergh pede, entre outras medidas, que sejam analisados dados bancários e fiscais das empresas envolvidas, a composição dos fundos e sociedades que aparecem na estrutura empresarial e eventuais informações mantidas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e pelo Banco Central.
O parlamentar também solicita o compartilhamento de elementos obtidos em outras investigações que possam contribuir para esclarecer a origem, a circulação e o destino dos recursos relacionados às companhias.
A adoção de medidas como quebra de sigilo depende de autorização judicial e do preenchimento dos requisitos legais.
Investigação ainda depende de decisão
O pedido apresentado por Lindbergh não significa que Flávio Bolsonaro tenha sido considerado responsável por irregularidades ou que sua participação econômica na RioPag esteja comprovada.
Caberá às autoridades avaliar se existem elementos jurídicos e probatórios suficientes para determinar novas diligências ou instaurar uma investigação específica sobre os fatos apresentados pelo parlamentar.
O caso passa a integrar uma sequência de questionamentos sobre a estrutura societária da RioPag, sua relação contratual com a Loterj e o destino dos recursos públicos reivindicados pela autarquia estadual.



