
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (23), a Operação Rota Diplomática, destinada a desarticular uma organização criminosa suspeita de utilizar falsas identificações diplomáticas para introduzir mercadorias estrangeiras irregularmente no território brasileiro. O esquema teria como principal porta de entrada o Aeroporto Internacional de Viracopos, localizado em Campinas, no interior de São Paulo.
Segundo as investigações, os integrantes do grupo adquiriam produtos no exterior, especialmente smartphones e outros equipamentos eletrônicos provenientes dos Estados Unidos, e organizavam o envio das mercadorias ao Brasil por meio de remessas que simulavam pertencer ao serviço diplomático.
Para tentar evitar a fiscalização aduaneira, os investigados utilizavam selos e elementos de identificação associados ao serviço consular do Chipre, país localizado no Mediterrâneo Oriental. A estratégia buscava conferir às cargas a aparência de bagagens diplomáticas, que possuem tratamento diferenciado em razão das normas internacionais aplicáveis às relações entre os países.
De acordo com a Polícia Federal, a utilização indevida dessa identificação teria permitido a entrada clandestina de grandes quantidades de produtos estrangeiros. As apurações indicam que, entre 2023 e 2024, mais de 230 toneladas de mercadorias teriam sido introduzidas irregularmente no Brasil por meio do esquema investigado.
Justiça determina buscas e bloqueio de R$ 20 milhões
Durante a operação, agentes federais cumprem nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. As diligências ocorrem nos municípios paulistas de Indaiatuba, Santana de Parnaíba, Mauá e na capital do estado.
Além das buscas, a Justiça autorizou o bloqueio patrimonial de aproximadamente R$ 20 milhões, medida destinada a restringir a movimentação de bens e recursos financeiros relacionados aos investigados.
A ação busca reunir documentos, dispositivos eletrônicos e outros elementos que possam contribuir para esclarecer o funcionamento do esquema, identificar os envolvidos e rastrear os valores supostamente obtidos com a comercialização irregular das mercadorias.
Investigados poderão responder por três crimes
Conforme a Polícia Federal, os suspeitos poderão responder pelos crimes de descaminho, organização criminosa e lavagem de dinheiro, de acordo com a participação individual de cada investigado e os elementos reunidos durante a apuração.
A Operação Rota Diplomática também busca esclarecer a estrutura utilizada para o transporte das cargas e a eventual participação de outros envolvidos na entrada e distribuição dos produtos estrangeiros no mercado brasileiro.
As investigações continuam, e a responsabilidade criminal dos suspeitos dependerá da apuração dos fatos e das decisões da Justiça.



