
A disputa pelas 70 cadeiras da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) coloca Macaé em uma posição de destaque nas eleições de 2026. Entre as candidaturas com maior projeção política no município estão Chico Machado (PL), Cesinha com Todo Gás (PSB), Dr. Lucas (PSD) e Alan Mansur (PSB).
O município já possui representação direta no Legislativo estadual por meio do deputado Chico Machado, que tenta permanecer na Alerj. Ao mesmo tempo, o fortalecimento de outras candidaturas locais cria uma possibilidade que há anos movimenta os bastidores políticos da cidade: Macaé terminar a eleição com dois deputados estaduais ligados diretamente ao município.
Chico Machado aposta na experiência e busca novo mandato
Chico Machado chega à eleição como o único dos quatro que já exerce mandato na Alerj. Atualmente filiado ao PL, ele concorre com o número 22611 e aparece com candidatura deferida pela Justiça Eleitoral.
Sua trajetória política começou em Macaé, onde foi vereador por cinco mandatos. Também disputou a Prefeitura e ocupou funções no Executivo estadual. Na eleição de 2022, Chico conseguiu 37.024 votos no estado, sendo 17.215 somente em Macaé, onde terminou como o candidato a deputado estadual mais votado.
O principal ativo eleitoral de Chico é justamente essa experiência acumulada e uma base já testada nas urnas. Em 2026, porém, ele enfrenta um cenário diferente: Macaé tem mais candidaturas competitivas buscando o mesmo eleitorado regional.
Alan Mansur tenta transformar força municipal em votação estadual
Outro nome que chama atenção é Alan Mansur, candidato pelo PSB com o número 40222. Vereador de terceiro mandato e presidente da Câmara Municipal de Macaé, Mansur tenta ampliar para o cenário estadual a estrutura política construída ao longo dos últimos anos no município.
Sua candidatura está fortemente vinculada à atual administração municipal. Levantamento publicado durante a pré-campanha destacou Mansur como um dos nomes com expressivo apoio dentro do grupo político do prefeito Welberth Rezende, incluindo vereadores e integrantes do governo municipal.
A campanha também procura apresentar demandas que dependem diretamente do Governo do Estado, como infraestrutura regional, abastecimento de água, ensino médio e atendimento hospitalar. Com isso, Alan tenta convencer o eleitor de que Macaé precisa ampliar sua interlocução dentro da Alerj.
Cesinha com Todo Gás aposta em base popular consolidada
Cesinha com Todo Gás, nome eleitoral de Nilton Cesar Pereira Moreira, concorre pelo PSB com o número 40630. Sua candidatura está oficialmente deferida pela Justiça Eleitoral.
Vereador conhecido na política macaense, Cesinha também já presidiu a Câmara Municipal. Na eleição municipal mais recente, obteve 5.476 votos, demonstrando possuir uma base eleitoral própria dentro da cidade. Sua atuação é particularmente associada a regiões como a Aroeira e bairros próximos, além da presença junto a trabalhadores e segmentos religiosos.
Cesinha enfrenta, porém, uma característica importante desta eleição: ele e Alan Mansur estão no mesmo partido, o PSB. Isso significa que, além de disputarem votos dentro de Macaé, os dois dependem do desempenho global da legenda na eleição proporcional para transformar suas votações individuais em uma cadeira.
Dr. Lucas leva saúde para o centro da campanha
O médico cardiologista Lucas Dias Rodrigues, o Dr. Lucas, é candidato pelo PSD, com o número 55255. Ex-secretário municipal de Saúde de Macaé, ele procura transformar sua trajetória profissional e administrativa em capital eleitoral.
Com aproximadamente duas décadas de atuação na área da saúde, Dr. Lucas constrói a candidatura principalmente em torno desse setor. Sua passagem pela Secretaria Municipal de Saúde e projetos ligados à assistência especializada são utilizados como principais referências de sua campanha.
Por disputar pelo PSD, ele também segue uma rota eleitoral diferente da de Chico Machado, no PL, e de Alan e Cesinha, no PSB. Essa divisão partidária pode ser importante porque permite que diferentes candidaturas de Macaé disputem vagas por legendas distintas.
Macaé pode eleger dois deputados?
A possibilidade existe, mas não depende apenas da quantidade de votos obtida dentro de Macaé.
A eleição para deputado estadual utiliza o sistema proporcional. Isso significa que o desempenho do partido ou federação no conjunto do Estado do Rio de Janeiro é determinante para saber quantas cadeiras cada legenda conquistará. Depois disso, a votação individual ajuda a definir quais candidatos ocuparão essas vagas.
Assim, Macaé pode produzir votações expressivas para dois candidatos e, ainda assim, depender do desempenho estadual das respectivas legendas.
Há, contudo, elementos que tornam a disputa de 2026 particularmente interessante. Chico Machado já demonstrou capacidade de obter votos fora de Macaé e entra na eleição buscando a continuidade do mandato. Alan Mansur e Cesinha apresentam bases eleitorais municipais consolidadas, enquanto Dr. Lucas tenta converter a projeção obtida na área da saúde em votação regional.
Um levantamento publicado em agosto identificou cinco candidaturas macaenses a deputado estadual, incluindo também Lisiany Braga, e apontou justamente o movimento da cidade para ampliar sua representação política no Estado.
Divisão dos votos é o grande desafio
Se por um lado ter vários candidatos competitivos demonstra força política, por outro aumenta a fragmentação dos votos de Macaé.
Em 2022, Chico Machado conseguiu concentrar 17.215 votos no município, muito à frente dos demais candidatos estaduais votados pelos macaenses. Em 2026, o quadro tende a ser mais pulverizado justamente pela presença de nomes locais com estruturas próprias.
Por isso, a eleição poderá ser decidida não apenas pela capacidade de cada candidato dominar determinadas regiões de Macaé, mas principalmente por sua expansão para Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Conceição de Macabu, Carapebus, Quissamã, Campos dos Goytacazes e outros municípios do Norte Fluminense e das Baixadas Litorâneas.
Eleição pode redefinir peso político de Macaé no Estado
Macaé possui importância econômica estratégica para o Rio de Janeiro, especialmente pela indústria de petróleo, gás e energia. Politicamente, entretanto, a cidade busca transformar esse peso econômico em uma representação maior dentro das estruturas de decisão estaduais.
A eleição de dois deputados diretamente vinculados ao município poderia ampliar a capacidade de articulação de Macaé em temas como royalties do petróleo, infraestrutura, saúde regional, segurança pública, mobilidade, saneamento e investimentos estaduais.
Neste momento, entretanto, apontar quais dois candidatos estariam eleitos seria prematuro. Não há pesquisa pública de intenção de voto estadual suficientemente consistente para estabelecer um ranking confiável entre os quatro nomes em Macaé, e a matemática das legendas ainda será decisiva.
O que já está claro é que Chico Machado, Alan Mansur, Cesinha com Todo Gás e Dr. Lucas colocam Macaé no centro de uma das disputas regionais mais interessantes pela Alerj em 2026.
Se as campanhas conseguirem avançar para além dos limites do município e seus partidos apresentarem bom desempenho no conjunto do estado, a possibilidade de Macaé chegar a 2027 com dois representantes na Assembleia Legislativa deixa de ser apenas uma ambição política e passa a ser um cenário eleitoral possível.



