
O governo dos Estados Unidos avalia uma nova rodada de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e a possibilidade de ampliar as medidas para outros integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Informações divulgadas nesta terça-feira (15) apontam que mecanismos para uma eventual reaplicação da Lei Global Magnitsky contra Moraes já estariam preparados, restando uma decisão política do governo norte-americano para que o processo avance.
Segundo apuração da CNN Brasil, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos estaria aguardando uma recomendação do Departamento de Estado, comandado pelo secretário Marco Rubio. A diplomacia americana, entretanto, ainda avalia os possíveis efeitos políticos de uma nova ofensiva contra integrantes do Judiciário brasileiro.
Dessa forma, embora circulem informações de que as novas sanções dependeriam apenas da autorização de Rubio, o cenário descrito pelas fontes é mais amplo: a decisão envolve uma recomendação política do Departamento de Estado e, posteriormente, a execução das medidas pelas autoridades responsáveis pelo regime de sanções dos Estados Unidos.
Moraes e outros ministros podem ser atingidos
A apuração aponta que não apenas Alexandre de Moraes estaria no radar. A extensão das medidas a outros integrantes do Supremo Tribunal Federal também teria sido preparada para eventual adoção pelo governo do presidente Donald Trump. Os nomes dos demais ministros que poderiam ser alcançados, porém, não foram oficialmente divulgados.
O assunto ganhou novo impulso em Washington nos últimos dias. Eduardo Bolsonaro esteve nos Estados Unidos buscando apoio para a retomada de sanções contra Moraes, segundo a Reuters. A movimentação ocorreu em meio às novas controvérsias envolvendo o ministro e às discussões dentro do STF sobre informações relacionadas ao caso Banco Master.
O governo norte-americano já havia utilizado a Lei Magnitsky contra Moraes anteriormente. Em julho de 2025, Washington anunciou sanções contra o ministro, sob acusações do governo Trump relacionadas a violações de direitos e restrições à liberdade de expressão. As medidas foram posteriormente retiradas em meio a uma reaproximação diplomática entre os governos brasileiro e americano.
Washington monitora crise no STF
As discussões sobre novas medidas ocorrem justamente no momento em que o Supremo enfrenta uma das mais delicadas disputas internas dos últimos meses.
Nesta terça-feira, o STF analisou questões relacionadas à possibilidade de abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes após a divulgação de relatório da Polícia Federal relacionado ao empresário Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Moraes nega irregularidades e afirma que as acusações contra ele não possuem fundamento.
A sessão terminou sem uma definição definitiva após pedido de vista do ministro Flávio Dino. O julgamento foi marcado por divergências entre os integrantes da Corte sobre a forma de análise dos procedimentos.
Paralelamente, o governo Trump acompanha os acontecimentos em Brasília. Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo informou que autoridades americanas monitoram a crise no Supremo e avaliam a adoção de novas sanções contra Moraes e aliados.
Marco Rubio ocupa posição central na decisão
Como secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio ocupa posição importante na discussão.
De acordo com a apuração publicada pela CNN Brasil, o Departamento do Tesouro aguarda justamente a recomendação do Departamento de Estado antes de avançar com eventuais medidas. O principal debate interno seria menos jurídico e mais político: autoridades americanas analisam os possíveis reflexos das sanções no cenário eleitoral brasileiro de 2026.
Rubio já havia adotado publicamente uma postura crítica em relação à atuação de Moraes. Em manifestações anteriores, o secretário afirmou que Washington poderia responder a decisões do Judiciário brasileiro e criticou o ministro em declarações públicas.
Apesar das movimentações, até a noite desta terça-feira, 15 de setembro, não havia anúncio oficial do governo dos Estados Unidos confirmando uma nova lista de ministros sancionados.
O cenário, portanto, continua em aberto.
O que existe até o momento é a informação de que os mecanismos para uma eventual retomada das sanções contra Alexandre de Moraes e sua possível extensão a outros ministros já estariam preparados. A decisão política de Washington — na qual o Departamento de Estado de Marco Rubio desempenha papel central — será determinante para saber se as medidas efetivamente serão colocadas em prática.



