
Mensagens examinadas pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre as operações envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) mostram que Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, demonstrava preocupação com a situação financeira da instituição e levantava dúvidas sobre a origem dos recursos utilizados para manter compromissos do banco.
Os diálogos integram o conjunto de elementos analisados pelas autoridades nas apurações sobre negócios realizados entre o Master e o BRB. Investigações da PF vêm examinando operações relacionadas à transferência de carteiras de crédito entre as instituições.
Em uma conversa de 6 de outubro de 2025 com Flávia Peres, Augusto Lima relatou que aproximadamente R$ 100 milhões em obrigações venceriam até o fim daquela semana e demonstrou descrença quanto à capacidade do Master de permanecer em funcionamento. Na ocasião, Lima já havia deixado a sociedade com Daniel Vorcaro.
Segundo as mensagens divulgadas nesta quarta-feira (23), Lima também descreveu um cenário de esvaziamento da instituição, chegando a mencionar que o local havia se transformado em uma espécie de “cidade fantasma”.
A conversa ganhou outro rumo quando o casal discutiu como o Master havia conseguido honrar aproximadamente R$ 200 milhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que estavam próximos do vencimento.
Questionado sobre a procedência dos recursos, Lima respondeu que o dinheiro teria relação com o BRB. A partir daí, os dois passaram a especular sobre a existência de negociações mais profundas entre as instituições. Em uma das mensagens, o empresário afirmou acreditar que alguma operação havia sido estruturada para permitir que o banco público concedesse crédito ao Master.
As mensagens não constituem, isoladamente, comprovação de irregularidade. Elas fazem parte do material reunido pelos investigadores para reconstruir as relações financeiras entre executivos, empresas e instituições envolvidas no caso.
Pedido de recursos também aparece em conversa posterior
Outro diálogo atribuído a Augusto Lima, datado de 14 de novembro de 2025, menciona Paulo Sérgio Neves de Souza, então ligado à diretoria do Banco Central.
De acordo com o conteúdo divulgado, Lima relatou à esposa ter recebido uma consulta sobre a possibilidade de disponibilizar recursos para adquirir uma carteira de crédito consignado do Master. A necessidade financeira mencionada na conversa seria de aproximadamente R$ 100 milhões.
O episódio passou a integrar o conjunto de informações examinadas nas investigações sobre a crise do banco. Paulo Sérgio Neves de Souza também foi posteriormente citado em discussões no Senado relacionadas à liquidação do Banco Master e chegou a ser incluído entre autoridades convidadas a prestar esclarecimentos sobre o caso.
As investigações da Polícia Federal apontam ainda suspeitas relacionadas à formação e à transferência de carteiras de crédito do Master ao BRB. Documentos tornados públicos em setembro atribuem a Augusto Lima participação na elaboração de ativos que os investigadores classificam como fraudulentos. A defesa do empresário rejeita essa conclusão e sustenta que não existem elementos que comprovem envolvimento dele em irregularidades.
Defesa nega participação em irregularidades
Em manifestação sobre as mensagens divulgadas, a defesa de Augusto Lima afirmou que o empresário é inocente e que os diálogos representam apenas comentários particulares sobre a situação enfrentada pelo Banco Master naquele período.
Os advogados também vêm contestando as acusações apresentadas no curso da investigação e argumentam que Lima já havia deixado o Master antes de parte das operações atualmente questionadas pelas autoridades.
O material continua sob análise no contexto das investigações que buscam esclarecer as operações financeiras realizadas entre o Banco Master, empresas relacionadas e o BRB, além da eventual responsabilidade individual dos envolvidos.



