
O empresário Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, encaminhou uma carta ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a revogação de sua prisão preventiva e contestando as suspeitas levantadas pela Polícia Federal (PF). O documento, que também foi enviado aos demais integrantes da Corte, apresenta a versão do investigado sobre suas relações comerciais e seu suposto envolvimento em atividades criminosas.
A correspondência, datada de segunda-feira (21), foi apresentada ao Supremo nesta terça-feira (22). No texto, Henrique sustenta que está sendo responsabilizado por condutas das quais afirma não ter participado e pede que sua situação seja reavaliada pela Justiça.
Detido desde maio no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Minas Gerais, o empresário contesta as conclusões da investigação que o apontam como possível integrante de um grupo responsável por intimidar pessoas consideradas adversárias de seu filho.
Segundo a Polícia Federal, o grupo conhecido como "A Turma" teria atuado na realização de ameaças e ações de intimidação, inclusive contra jornalistas. Henrique, por sua vez, rejeita qualquer participação nessas atividades e afirma desconhecer a existência de uma organização com essa finalidade.
Empresário afirma que mensagens investigadas tratavam de negócios imobiliários
Um dos principais argumentos apresentados na carta diz respeito à interpretação de conversas e movimentações financeiras identificadas pelos investigadores.
Henrique afirma que os diálogos examinados pela PF estavam relacionados a operações comerciais realizadas ao longo de mais de cinco anos, especialmente no setor imobiliário.
De acordo com sua versão, os contatos mantidos com empresários identificados como Phillipi, Manolo e Marilson envolviam negociações de terrenos, intermediação de imóveis e empreendimentos localizados em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e na região de Nova Lima, em Minas Gerais.
O empresário também procura esclarecer o contexto de mensagens nas quais aparecem cobranças financeiras e referências à necessidade de realizar pagamentos a terceiros.
Segundo ele, essas manifestações partiam de parceiros comerciais interessados em antecipar o recebimento de valores, em razão de dificuldades financeiras. Henrique sustenta que as expressões utilizadas nas conversas foram interpretadas de maneira equivocada pelos investigadores, dando origem a suspeitas que considera incompatíveis com a natureza de seus negócios.
Pai de Vorcaro nega participação nos negócios do Banco Master
Na correspondência, Henrique também procura estabelecer uma distinção entre suas atividades empresariais e as operações financeiras conduzidas por Daniel Vorcaro.
Embora reconheça que o filho trabalhou ao seu lado durante vários anos, o empresário afirma que Daniel posteriormente decidiu desenvolver seus próprios negócios, mantendo o pai afastado da administração e das operações do Banco Master.
Henrique argumenta que o vínculo familiar não deveria ser utilizado como fundamento para associá-lo automaticamente às suspeitas envolvendo o ex-banqueiro.
Pedido de liberdade será analisado pela Justiça
Além de contestar as acusações, Henrique solicita ao Supremo a revisão da medida cautelar que o mantém encarcerado.
A defesa sustenta que o empresário ainda não teve oportunidade de prestar depoimento e pretende que a correspondência seja incorporada ao processo como manifestação pessoal do investigado.
Henrique também relata problemas de saúde durante o período de detenção, argumento apresentado para reforçar seu pedido de liberdade. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia se manifestado favoravelmente à realização de exames médicos fora da unidade prisional.
A carta representa a versão apresentada por Henrique Vorcaro em sua defesa e não afasta, por si só, as suspeitas levantadas pela Polícia Federal. A análise dos elementos reunidos na investigação e a decisão sobre a manutenção ou revogação da prisão preventiva caberão à Justiça.



