
O empresário Elon Musk voltará a exercer uma função oficial de assessoramento no governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O bilionário foi escolhido para participar da liderança do Projeto Meridian, iniciativa anunciada pelo Pentágono com o objetivo de analisar como deverão ser os conflitos militares do futuro e quais tecnologias poderão assumir papel decisivo nos próximos anos.
O projeto será copresidido por Musk, pelo empresário Palmer Luckey, cofundador da companhia de tecnologia de defesa Anduril Industries, e por Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. O grupo também contará com especialistas provenientes do setor privado, do meio acadêmico e de áreas ligadas à inovação e às políticas públicas.
A criação do Projeto Meridian foi anunciada pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, durante um discurso realizado em 30 de setembro, na Base do Corpo de Fuzileiros Navais de Quantico, no estado da Virgínia.
Segundo Hegseth, a iniciativa deverá estudar os chamados “campos de batalha do futuro”, além de apontar quais armas, sistemas e novas capacidades tecnológicas deverão receber atenção das Forças Armadas norte-americanas.
Entre as áreas que deverão ter destaque estão inteligência artificial, sistemas autônomos, robótica, drones e outras tecnologias avançadas aplicadas à defesa. O Pentágono também anunciou, paralelamente, iniciativas destinadas a ampliar a utilização de sistemas militares autônomos.
O Projeto Meridian terá inicialmente duração de 120 dias. As conclusões e recomendações deverão ser entregues ao secretário de Defesa até o fim de janeiro de 2027. De acordo com informações divulgadas sobre o programa, está prevista a publicação de uma versão não confidencial do relatório, além de um anexo classificado destinado ao governo norte-americano.
Retorno após rompimento com Trump
A participação no projeto representa a volta de Musk a uma função formal de assessoramento do governo Trump depois da turbulenta relação entre os dois ao longo de 2025.
Musk havia desempenhado papel de destaque no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), criado no início da atual administração para promover cortes de gastos e mudanças na estrutura federal. O empresário deixou a função em maio de 2025 e, posteriormente, protagonizou divergências públicas com Trump, principalmente em torno da política de gastos do governo.
Depois do período de afastamento, os dois voltaram a demonstrar aproximação. A nova participação de Musk no Projeto Meridian marca sua mais relevante função oficial no governo desde a saída do DOGE.
Tecnologia ganha espaço na estratégia militar americana
A escolha de Musk também reforça a crescente aproximação entre o Pentágono e empresas privadas de tecnologia.
A SpaceX, fundada por Musk, mantém contratos com o governo norte-americano e presta serviços relacionados a lançamentos espaciais e sistemas de satélites. Já a Anduril, de Palmer Luckey, atua diretamente no desenvolvimento de tecnologias militares e sistemas autônomos.
Com o Projeto Meridian, o Departamento de Defesa pretende reunir empresários, especialistas e autoridades militares para identificar antecipadamente as tecnologias que poderão modificar a maneira como guerras serão conduzidas.
A iniciativa ocorre em um momento no qual inteligência artificial, drones, armamentos hipersônicos, sistemas automatizados e infraestrutura espacial assumem importância crescente no planejamento estratégico das grandes potências.
O resultado do estudo deverá servir como referência para futuras decisões do Pentágono sobre pesquisa, desenvolvimento, testes e eventual implantação de novas tecnologias militares.



