
Os números apresentados pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, referentes a 2025, colocam novamente a segurança pública no centro do debate nacional.
As dez maiores taxas de Mortes Violentas Intencionais entre municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes estão concentradas no Nordeste. Maranguape, no Ceará, lidera o ranking, com 100,3 mortes por 100 mil habitantes, seguida por Eunápolis, Maracanaú, Porto Seguro e Simões Filho.
O indicador de Mortes Violentas Intencionais reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.
Mais do que uma sequência de números, o levantamento exige uma pergunta incômoda: até que ponto os governos responsáveis pela segurança pública estão conseguindo entregar resultados concretos à população?
Bahia e Ceará concentram oito das dez cidades
Um dos aspectos políticos que chama atenção é a concentração territorial do problema.
Entre as dez cidades com as maiores taxas, cinco estão na Bahia e três no Ceará. Juntos, portanto, os dois estados concentram oito dos dez municípios apresentados no topo do levantamento governados pela esquerda.
Essa realidade amplia a cobrança sobre os governos estaduais, justamente porque cabe aos estados a responsabilidade direta pelas Polícias Militar e Civil e por grande parte da política operacional de segurança pública.
Na Bahia, o governo é comandado por Jerônimo Rodrigues, do PT. No Ceará, o governador é Elmano de Freitas, também do PT.
Diante da presença tão expressiva de municípios baianos e cearenses entre aqueles com os piores índices, é legítimo questionar as estratégias adotadas por essas administrações para combater homicídios, facções criminosas, tráfico de drogas, domínio territorial e circulação de armas.
A cobrança ganha ainda mais peso porque não se trata de um problema surgido de uma única ocorrência ou de uma crise localizada. São números que representam centenas de famílias atingidas pela violência e cidades submetidas à atuação cada vez mais estruturada de organizações criminosas.
Governos precisam responder pelos resultados
A presença de governos ligados à esquerda em estados fortemente atingidos pela violência também coloca sob escrutínio o discurso e as políticas de segurança adotados por essas administrações.
O debate público não pode afastar a responsabilidade política de quem governa.
Quando Bahia e Ceará, ambos administrados pelo PT, concentram oito das dez cidades de maior taxa de violência do levantamento, seus governos precisam explicar quais políticas estão funcionando, quais fracassaram e quais mudanças serão implementadas para modificar essa realidade.
Não basta anunciar operações, novos equipamentos, concursos públicos ou programas governamentais. Para o cidadão que vive em uma área dominada pelo medo, o resultado que importa é outro: menos assassinatos, menos domínio de facções e maior presença efetiva do Estado.
Outro ponto levantado nas análises sobre a violência é o fortalecimento de organizações criminosas e as disputas pelo controle territorial.
Facções passaram a atuar não apenas no tráfico de drogas, mas também em atividades como comércio clandestino de armas, extorsões, transporte irregular, exploração de serviços e outros mercados ilegais.
Há ainda cidades localizadas em corredores estratégicos de circulação de mercadorias e drogas, próximas a rodovias, portos ou importantes centros urbanos.
Esse tipo de criminalidade ultrapassa os limites de uma prefeitura.
Exige inteligência policial, investigação financeira, integração entre polícias, Ministério Público, sistema penitenciário, governos estaduais e forças federais.
O combate a organizações terrósristas criminosas interestaduais e transnacionais não podem ser tratado exclusivamente como problema dos governadores.
A União dispõe da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, inteligência financeira, controle de fronteiras e instrumentos para combater lavagem de dinheiro, tráfico internacional de drogas e armas e organizações criminosas que operam em diferentes estados.
Por isso, governo federal, governadores e prefeitos precisam deixar de transferir responsabilidades entre si.
Quando o cidadão é assassinado, vítima de assalto ou impedido de circular livremente onde mora, pouco importa de qual esfera administrativa veio a falha.
Segurança pública precisa ser julgada pelos resultados
O Brasil precisa superar a lógica em que segurança pública aparece com força durante campanhas eleitorais e perde prioridade depois da eleição.
Governadores, prefeitos e o governo federal devem ser cobrados por indicadores objetivos.
Quantas organizações criminosas foram desarticuladas?
Quantos homicídios foram reduzidos?
Quanto dinheiro do crime organizado foi bloqueado?
Quantos territórios foram recuperados?
Qual é a taxa de solução dos assassinatos?
A população está realmente mais segura?
Essas são perguntas que precisam ser respondidas.
A concentração de municípios da Bahia e do Ceará entre as cidades com os maiores índices do país impõe, particularmente, uma cobrança aos governos estaduais comandados pelo PT.
Mas a cobrança não pode terminar neles.
Segurança pública deve ser medida por resultado. E quem governa — seja de esquerda, centro ou direita — precisa prestar contas quando esses resultados não chegam à população.



