
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta terça-feira (22), a Operação Deceptus, destinada a desarticular um suposto esquema de fraudes na comercialização de cartas de consórcio. A ação resultou na apreensão de veículos de luxo, documentos e equipamentos eletrônicos, além do bloqueio judicial de R$ 1 milhão em contas bancárias vinculadas aos investigados.
Conduzida pela Divisão de Defesa do Consumidor (DDCON/CORF), a operação cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais e estabelecimentos comerciais relacionados às empresas e aos suspeitos de participação nas irregularidades.
Entre os principais investigados está um casal apontado pela polícia como responsável pela administração das empresas utilizadas no esquema. Segundo as apurações, os suspeitos mantinham um padrão de vida elevado, com a utilização de automóveis de alto valor comercial.
Durante as diligências, os policiais apreenderam veículos das marcas BMW e Audi, incluindo um SUV BMW X4 e um Audi A5. Dependendo da versão e do ano de fabricação, os modelos podem alcançar valores de centenas de milhares de reais no mercado brasileiro.
As autoridades investigam a origem dos recursos utilizados na aquisição dos bens e sua possível relação com os valores obtidos por meio das operações comerciais suspeitas.
Documentos apreendidos revelam estratégias de abordagem aos consumidores
Um dos pontos centrais da investigação envolve a maneira como os integrantes do grupo teriam abordado potenciais clientes para comercializar cartas de consórcio.
Nas buscas realizadas na residência do casal investigado, os agentes localizaram agendas, dispositivos eletrônicos e materiais contendo roteiros de atendimento utilizados pelos vendedores.
De acordo com a Polícia Civil, os documentos apresentavam orientações sobre argumentos comerciais e expressões que deveriam ser empregados durante as negociações, inclusive estratégias para responder aos questionamentos dos consumidores.
A suspeita é de que essas técnicas fossem utilizadas para induzir clientes ao erro no momento da contratação dos serviços.
O material recolhido será analisado pelos investigadores para identificar a participação de cada envolvido e esclarecer o funcionamento das empresas investigadas.
Centenas de consumidores podem ter sido prejudicados
As investigações indicam que o grupo atuava no Distrito Federal desde pelo menos 2021 e teria atingido centenas de pessoas, principalmente consumidores de baixa renda interessados na aquisição de bens por meio de consórcios.
Ao longo dos últimos anos, as atividades das empresas investigadas teriam motivado o registro de diversas ocorrências policiais, ações judiciais na esfera cível e reclamações em plataformas digitais de defesa do consumidor.
Os relatos contribuíram para o avanço das apurações e para a identificação dos suspeitos de administrar e operar o esquema.
A Polícia Civil busca dimensionar o prejuízo financeiro causado às vítimas, identificar eventuais outros participantes e rastrear os valores movimentados pelas empresas.
Investigação prossegue após bloqueio de bens
Além das apreensões realizadas durante a operação, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 1 milhão em contas bancárias relacionadas aos investigados.
A medida tem como objetivo restringir a movimentação dos recursos enquanto as autoridades aprofundam a apuração sobre a origem e a destinação do dinheiro.
Os documentos, equipamentos eletrônicos e demais materiais recolhidos serão submetidos à análise policial e poderão auxiliar na identificação de novas vítimas e de outras possíveis irregularidades.
A Operação Deceptus permanece em andamento. A participação individual dos investigados e as eventuais responsabilidades criminais deverão ser esclarecidas no decorrer das investigações e dos procedimentos judiciais.



