
A Polícia Federal identificou uma série de perfis de redes sociais que passaram a ser analisados no âmbito das investigações sobre uma possível campanha de gerenciamento de reputação em favor do executivo Daniel Vorcaro e do Banco Master.
As informações constam de relatório anexado à investigação do chamado caso Master, cujo conteúdo veio a público após o levantamento do sigilo de documentos relacionados às apurações.
Segundo informações divulgadas a partir dos autos, os investigadores apuram se houve uma atuação organizada nas redes sociais destinada a fortalecer a imagem de Vorcaro e do Banco Master, além de produzir conteúdos favoráveis à instituição financeira ou críticos a órgãos e autoridades envolvidos nas decisões que atingiram o banco.
Entre os perfis mencionados no relatório estão páginas voltadas a notícias, entretenimento, celebridades e influenciadores digitais.
Perfis citados no relatório
Entre os nomes analisados estão:
Exclusivas da Fama Rainha Matos Futrikei Fofocas Fofoquei Carol Dias André Janeiro Dias Garotx do Blog WesGossip Vem Me Buscar Hebe Bombados Artistas Tricotei Alfinetada Alfinetei Focalizando Notícias Tuitteiros Queirônica Alfinetada Online Marcelo Renno Cardoso Mundo Diferentona Luiz Bacci
A investigação procura esclarecer qual teria sido o grau de relacionamento entre eventuais responsáveis pela estratégia de comunicação e os administradores dos perfis, assim como a existência ou não de contratos, pagamentos ou orientações editoriais para a publicação de determinados conteúdos.
Reportagens anteriores já haviam revelado documentos relacionados ao chamado “Projeto DV”, iniciativa de gerenciamento de crise e reputação associada às iniciais de Daniel Vorcaro. Segundo documentos obtidos no decorrer das investigações, estratégias de comunicação teriam incluído orientações para publicações em redes sociais e conteúdos relacionados ao Banco Master e à atuação do Banco Central.
A Polícia Federal também identificou grupos de perfis com publicações que apresentavam características de atuação coordenada. Entretanto, os próprios elementos divulgados até agora não permitem concluir automaticamente que todos os nomes mencionados tenham sido contratados ou que tenham participado conscientemente de eventual estratégia organizada.
Citação no relatório não significa culpa
Um dos pontos fundamentais do documento é justamente a necessidade de diferenciar monitoramento investigativo de responsabilização criminal.
O fato de uma página, influenciador ou profissional aparecer no levantamento da Polícia Federal não significa que tenha cometido crime, recebido recursos do Banco Master ou participado deliberadamente de qualquer esquema.
A relação entre os perfis citados, possíveis intermediários e os responsáveis pela estratégia de comunicação ainda precisa ser individualizada e comprovada pelos investigadores.
Também caberá à apuração verificar quais publicações decorreram de contratos comerciais, quais foram manifestações espontâneas e se existiu coordenação destinada a interferir artificialmente no debate público sobre o Banco Master.
Estratégia digital entra no foco das investigações
A atuação digital passou a ocupar espaço relevante nas investigações porque documentos anteriores já apontavam para uma preocupação do núcleo ligado a Vorcaro com sua imagem pública e com a reputação do Banco Master.
A PF investiga se estratégias de comunicação foram utilizadas para tentar construir narrativas favoráveis ao banco durante momentos de crescente pressão regulatória e institucional.
Agora, com a divulgação de novos documentos do caso Master, o alcance dessa estratégia começa a ser exposto com maior detalhamento.
A análise dos investigadores deverá avançar sobre contratos, conversas, movimentações financeiras e contatos entre intermediários e responsáveis pelos perfis mencionados.
O caso permanece em investigação, e qualquer eventual responsabilização dependerá da comprovação individual da participação de cada pessoa ou empresa nos fatos apurados.



