
Pela primeira vez na história, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que abrange as contas do governo federal, INSS e governos estaduais e municipais, atingiu R$ 9 trilhões em outubro de 2024. Os dados integram as Estatísticas Fiscais, divulgadas pelo Banco Central (BC), nesta sexta-feira (29/11).
De acordo com o BC, o indicador apresentou um aumento de 0,4 ponto percentual (p.p.) em relação ao mês anterior e acumula alta de 4,2 p.p. no ano. A dívida bruta já atingiu atingiu 78,6% do Produto Interno Bruto (PIB).
O maior fator de pressão sobre a dívida, apontado pelo BC, foi dos juros nominais apropriados, que contribuíram com 6,3 p.p. do PIB no ano. A emissão líquida de dívida representou um impacto adicional de 1,1 p.p, enquanto a desvalorização cambial acumulada adicionou 0,7 p.p. à dívida.
Por outro lado, o Crescimento do PIB nominal atuou como fator de mitigação, reduzindo a relação dívida/PIB em 4,1 p.p., mas não o suficiente para reverter a trajetória de alta.
Apesar do superávit primário de R$36,9 bilhões em outubro (um aumento significativo frente aos R$14,8 bilhões do mesmo mês em 2023), o setor público consolidado ainda apresenta desafios fiscais consideráveis. O déficit nominal acumulado em 12 meses chegou a R$1,092 trilhões, equivalente a 9,52% do PIB, pressionado pelos elevados encargos com juros.
A trajetória ascendente da dívida reflete os desafios estruturais das finanças públicas brasileiras, combinando o impacto de juros altos, desvalorização cambial e crescimento modesto do PIB. Para conter essa tendência, políticas fiscais e monetárias coordenadas serão essenciais, buscando reduzir custos com juros e controlar a expansão da dívida.
Esses dados reforçam a urgência de reformas que ampliem a sustentabilidade fiscal, reduzindo riscos à economia e à credibilidade do país no cenário internacional.
Recorde da dívida em meio ao corte de gastos
O anúncio do recorde da dívida ocorreu na semana marcada pelos desdobramentos do pacote de corte de gastos apresentado pelo governo federal. As novas medidas para o controle dos gastos públicos, que visam economizar cerca de R$ 70 bilhões nos próximos dois anos, foram anunciadas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na quarta-feira (27/11).
A Gazeta do Povo mostrou que o pacote evidenciou um divórcio definitivo do governo com o mercado financeiro. Analistas já não veem sinais de compromisso do Executivo com o equilíbrio das contas públicas, algo considerado essencial para a estabilidade econômica.
Vários economistas e instituições financeiras avaliaram as medidas como “tímidas” e “insuficientes” para alcançar um resultado primário que atenda às metas legais e garanta a sustentabilidade do endividamento.
Após as críticas, o ministro Fernando Haddad afirmou que o pacote não é um “grand finale” e novas ações para conter despesas podem ser implementadas nos próximos meses no esforço de contenção fiscal.


Gazeta Connect
As notícias do seu interesse, no seu WhatsApp. Escolha por editoria, cidade ou colunista — ou acompanhe as mais recentes.



