O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor uma tarifa de 25% a qualquer país que mantenha relações comerciais com o Irã, em mais uma tentativa de intensificar a pressão contra o regime dos aiatolás. A medida, segundo Trump, teria aplicação “imediata” sobre atividades nos Estados Unidos pertencentes a parceiros comerciais da República Islâmica.
O anúncio foi feito na segunda-feira (12), por meio das redes sociais, e ocorre em meio à escalada de tensões no país persa, onde protestos reprimidos pelas forças de segurança já deixaram ao menos 648 mortos, incluindo nove crianças, de acordo com a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega. A entidade alerta, no entanto, que o número real de vítimas pode ultrapassar 6 mil, além de mais de 10 mil pessoas detidas.
As manifestações começaram há cerca de duas semanas, inicialmente motivadas pelo aumento do custo de vida, mas rapidamente se transformaram em um movimento de oposição ao regime teocrático que governa o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. Apesar de as autoridades iranianas afirmarem que estão retomando o controle da situação, organizações de direitos humanos relatam um cenário de forte repressão.
A conexão telefônica internacional foi restabelecida nesta terça-feira em Teerã, segundo um jornalista da AFP, mas o acesso à internet continua bloqueado desde 8 de janeiro. De acordo com entidades de defesa dos direitos humanos, a restrição tem como objetivo ocultar a real dimensão da violência empregada contra os manifestantes.
Trump também voltou a mencionar a possibilidade de uma intervenção militar no Irã. A Casa Branca declarou, na segunda-feira, que o presidente não “tem medo” de um ataque militar, mas que, por ora, a prioridade do governo norte-americano é a via diplomática.
Segundo dados do banco Trading Economics, os principais parceiros comerciais do Irã são China, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Iraque. Pouco após o anúncio de Trump, o governo chinês reagiu afirmando que “protegerá resolutamente seus direitos e interesses legítimos” e alertou que “não há vencedores em uma guerra comercial”.
A organização Human Rights Watch (HRW) afirmou haver “relatos confiáveis de que as forças de segurança estão realizando mortes em grande escala no país”. Em contrapartida, a mídia estatal iraniana informou que dezenas de membros das forças de segurança também morreram durante os protestos. Os funerais desses agentes se transformaram em grandes manifestações de apoio ao governo, que decretou três dias de luto oficial.



