Primeiras pesquisas eleitorais de 2026: Lula na liderança e Tarcísio rejeitado por Jair.

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As pesquisas eleitorais divulgadas em 13/01 pela Meio/Ideia e em 14/01 pela Genial/Quaest reforçam um padrão que já vem se consolidando no cenário pré-eleitoral: Lula segue vencendo todos os cenários de segundo turno, independentemente do adversário apresentado pela oposição. Não se trata apenas de liderança numérica, mas de uma vantagem sustentada por dois fatores centrais: menor rejeição relativa e fragmentação do campo oposicionista.

Tarcísio de Freitas permanece como o nome mais competitivo da oposição. Os levantamentos indicam que ele é o único candidato capaz de reduzir a distância contra Lula a patamares politicamente administráveis, ainda que insuficientes para uma virada.

Ainda assim, Tarcísio segue sem o apoio explícito de Jair Bolsonaro, que insiste em priorizar um projeto familiar em detrimento de um projeto eleitoral viável.

A preferência de Jair por Flávio Bolsonaro como herdeiro político cobra um preço alto: nos cenários testados, Flávio aparece derrotado por uma diferença próxima de 10%, desempenho significativamente inferior ao de Tarcísio. O dado expõe não apenas a fragilidade eleitoral do “filho 01”, mas também o desgaste do sobrenome Bolsonaro
fora da bolha ideológica mais fiel. A rejeição a Flávio Bolsonaro gira em torno de 55%.

Esse isolamento fica ainda mais evidente pelo fato de que nem mesmo Michelle Bolsonaro declara apoio aberto ao enteado, preservando sua própria imagem política e mantendo distância de um projeto que já nasce com baixa competitividade. O silêncio é estratégico e eloquente.

Outro ponto central revelado pelas pesquisas é que a rejeição ao bolsonarismo continua superior à rejeição a Lula. Mesmo após anos de desgaste do atual governo, o antipetismo não conseguiu se reorganizar como maioria social. O que se mantém forte, ao contrário, é a rejeição a um campo político associado ao autoritarismo, ao negacionismo e ao conflito permanente com as instituições.

Nesse contexto, a estratégia de Jair Bolsonaro se mostra clara: manter o controle da oposição dentro de sua família, ainda que isso implique abrir mão de uma chance real de vitória presidencial. Trata-se menos de disputar o poder e mais de administrar o capital político remanescente, garantindo protagonismo, influência e sobrevivência do
bolsonarismo como movimento.

Rafael Resende
Consultor em Gestão Pública e Analista Político