O governo do presidente Donald Trump pretende expandir de forma significativa os processos de retirada de cidadania de americanos naturalizados, de acordo com documentos internos do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (U.S.C.I.S.) obtidos pelo The New York Times. As orientações indicam que os escritórios regionais da agência deverão encaminhar entre 100 e 200 casos de desnaturalização por mês ao Escritório de Litígios de Imigração ao longo do ano fiscal de 2026, iniciado em outubro.
Caso a meta seja cumprida, o número representará um aumento expressivo em comparação com períodos anteriores. Dados do Departamento de Justiça mostram que, entre 2017 e 2025, pouco mais de 120 processos desse tipo foram abertos. Pela legislação federal americana, a cidadania só pode ser revogada em circunstâncias específicas, como fraude comprovada durante o processo de naturalização ou ocultação deliberada de informações relevantes.
Segundo autoridades do U.S.C.I.S., o foco da iniciativa será identificar casos em que a cidadania tenha sido obtida de maneira ilegal, incluindo situações envolvendo declarações falsas ou documentação fraudulenta. O Departamento de Justiça também confirmou que a desnaturalização integra suas prioridades, citando como potenciais alvos indivíduos com envolvimento em gangues, esquemas de fraude financeira, tráfico de drogas ou crimes violentos, desde que haja provas consistentes e respaldo legal.
A estratégia, no entanto, tem gerado preocupação entre especialistas em imigração e ex-integrantes da agência. Eles alertam que o estabelecimento de metas numéricas pode estimular a politização do instrumento jurídico e criar um ambiente de insegurança para cidadãos naturalizados. Já defensores de políticas migratórias mais rigorosas afirmam que a medida é necessária para corrigir falhas e concessões indevidas do passado.
Atualmente, cerca de 26 milhões de cidadãos americanos são naturalizados. Somente em 2024, mais de 800 mil pessoas adquiriram a cidadania dos Estados Unidos. Apesar da previsão de aumento nos encaminhamentos, analistas ressaltam que os processos de desnaturalização são complexos, dependem de longas disputas judiciais e, por isso, tendem a limitar o número de casos que efetivamente chegam a uma conclusão.






