A presença do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, no 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em abril de 2024, em Londres, voltou ao centro das discussões públicas após o avanço das apurações envolvendo o Banco Master.
O evento, que reuniu autoridades do sistema de Justiça e do Executivo — incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) — contou com o Banco Master entre os patrocinadores. A instituição financeira pertence ao banqueiro Daniel Vorcaro.
À época, a realização do fórum foi apresentada como espaço de debate jurídico e institucional. No entanto, o cenário mudou com o avanço do chamado “caso Master”, que envolve investigações e processos relacionados ao banco e seus negócios. Segundo reportagens, o Banco Master possui ações em tramitação tanto no STF quanto no STJ — cortes cujos integrantes participaram do encontro patrocinado pela própria instituição interessada.
Embora não haja indícios públicos de irregularidade direta por parte das autoridades presentes, críticos apontam que a situação expõe uma zona cinzenta na relação entre o setor público e patrocinadores privados com interesses nos tribunais superiores. No caso do diretor-geral da PF, a crítica ganha contornos ainda mais sensíveis: a Polícia Federal é órgão central na condução de investigações que podem envolver instituições financeiras e seus dirigentes.
Especialistas em governança pública ouvidos em debates recentes afirmam que, ainda que a participação em eventos institucionais seja parte das atribuições de chefes de órgãos, o financiamento por empresas com litígios em cortes superiores impõe um ônus adicional de transparência. A questão não se limita à legalidade formal, mas à percepção pública de independência.
O episódio reacende um debate recorrente em Brasília: quais devem ser os limites para a participação de autoridades em eventos patrocinados por empresas com interesses diretos no Judiciário ou potencialmente sujeitas a investigações? Há regras suficientes? Elas são claras e uniformes para todos os Poderes?
Até o momento, não há notícia de impedimento formal envolvendo a participação de Andrei Passos Rodrigues no fórum. Ainda assim, o caso evidencia a necessidade de revisão — ou ao menos maior publicização — dos critérios que regem esse tipo de interação institucional.

