Falas recentes do jornalista investigativo e ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, voltaram a colocar em evidência discussões sobre possíveis conexões entre grupos de comunicação, instituições financeiras digitais e decisões regulatórias no setor bancário brasileiro. As declarações foram feitas em entrevista ao portal Folha Democrata, publicada na última terça-feira (3).
Durante a entrevista, Garotinho afirmou que as Organizações Globo teriam participação acionária relevante no Nubank, estimada por ele em cerca de 25%. A alegação, no entanto, não encontra consenso em bases de dados públicas e plataformas especializadas do mercado financeiro, que apresentam números distintos ou não confirmam oficialmente essa composição societária. A divergência reacende questionamentos sobre transparência, estrutura de controle e governança corporativa no setor.
Na avaliação de Garotinho, a eventual interligação entre empresas de mídia e instituições financeiras pode impactar a forma como temas econômicos e jurídicos são abordados no noticiário. Ele sustenta que a cobertura de assuntos como a situação do Banco Master e controvérsias envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ocorre em um contexto marcado por interesses econômicos que se cruzam.
Embora até o momento não haja documentação oficial que comprove as afirmações, o debate reforça a importância do papel da imprensa na construção da opinião pública, especialmente em pautas sensíveis relacionadas à estabilidade do sistema financeiro e à confiança dos investidores.
Um dos pontos centrais levantados envolve o Banco Master. Informações atribuídas a fontes do mercado indicam que cerca de R$ 2,9 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) vinculados à instituição teriam sido distribuídos por meio da NuInvest, plataforma de investimentos associada ao Nubank.
O volume expressivo desses títulos teria ampliado a exposição de investidores a eventuais riscos relacionados à situação financeira do banco. Além disso, outras instituições do mercado, como XP Investimentos e BTG Pactual, também passaram a ser mencionadas em ações judiciais que questionam práticas de oferta e distribuição desses produtos ao público.
O caso segue repercutindo entre especialistas do setor financeiro, juristas e analistas de mídia, enquanto investidores e autoridades acompanham os desdobramentos e eventuais esclarecimentos oficiais.


