A corrida pelas 46 cadeiras do Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados coloca Macaé novamente no centro das articulações políticas do Norte Fluminense. Lideranças ligadas ao município disputam votos não apenas entre os eleitores macaenses, mas também em cidades vizinhas, numa eleição em que a representação regional em Brasília ganha espaço no debate político.

Levantamentos do cenário local realizados ao longo de 2026 apontaram quatro nomes ligados a Macaé na corrida inicialmente projetada para deputado federal: Delegado Felício Laterça, Márcio Rezende e Dr. Aluízio.

Com o avanço do processo eleitoral e dos julgamentos dos registros, entretanto, a situação de cada nome passou a exigir atenção às atualizações da Justiça Eleitoral.

Felício Laterça tenta retornar a Brasília

Outro nome conhecido do eleitorado macaense é o Delegado Felício Laterça (NOVO). Delegado aposentado da Polícia Federal, Laterça já exerceu mandato na Câmara dos Deputados e tenta retornar ao Congresso Nacional.

Para a eleição de 2026, ele concorre pelo Partido Novo, número 3000, e seu registro aparece como deferido na Justiça Eleitoral.

Laterça tem trajetória política associada principalmente aos temas de segurança pública, fiscalização e transparência. No cenário político municipal, posiciona-se fora da base da atual administração de Macaé, criando uma disputa também marcada por diferentes grupos políticos locais.

A experiência anterior em Brasília é um dos elementos que diferenciam sua candidatura dentro do grupo de nomes ligados diretamente à cidade.

Márcio Rezende disputa pelo PSD

Um dos nomes diretamente vinculados à atual administração municipal é Márcio Rezende (PSD), ex-secretário de Infraestrutura de Macaé e irmão do prefeito Welberth Rezende.

Márcio teve sua candidatura lançada oficialmente em evento realizado no fim de agosto em Macaé, com a presença de lideranças municipais e estaduais. Embora tenha sido apontado anteriormente como integrante do Cidadania, o registro eleitoral de 2026 aparece pelo PSD, com o número 5523.

Na atualização da lista de candidaturas divulgada em 21 de setembro com base nos dados do TSE, a situação de Márcio Rezende aparecia como “deferido com recurso”. Isso significa que o registro foi aceito em decisão judicial, embora ainda exista recurso relacionado ao processo.

Sua trajetória recente está associada à administração municipal e às obras de infraestrutura realizadas em Macaé, enquanto sua campanha tenta ampliar essa base política para outras cidades da região.

Ex-prefeito de Macaé e ex-deputado federal, Dr. Aluízio dos Santos Júnior (PSDB) também apresentou candidatura para retornar à Câmara dos Deputados.

Registrado com o número 4504, Dr. Aluízio teve seu pedido de candidatura indeferido pelo TRE-RJ, em decisão relacionada à sua situação de inelegibilidade. A situação disponibilizada em 21 de setembro aparece como “indeferido em prazo recursal ou com recurso”, indicando que ainda há possibilidade de discussão judicial sobre o registro.

O ex-prefeito governou Macaé por dois mandatos e anteriormente exerceu mandato na Câmara dos Deputados.

Em sua movimentação eleitoral, questões como royalties do petróleo e interesses econômicos dos municípios produtores fazem parte dos temas associados à sua trajetória política. Entretanto, sua presença definitiva na eleição depende do desfecho da discussão judicial sobre o registro.

Macaé tenta ampliar representação em Brasília

A disputa tem uma dimensão que ultrapassa as campanhas individuais. Apesar de sua relevância econômica para o Estado do Rio, especialmente pela indústria de petróleo, gás e energia, Macaé chegou ao processo eleitoral de 2026 sem um deputado federal em exercício com domicílio eleitoral identificado no município, segundo levantamento publicado em agosto.

Isso coloca no centro do debate local temas que dependem diretamente do Congresso Nacional, como royalties do petróleo, política energética, infraestrutura federal, saúde, segurança, investimentos públicos e geração de empregos.

Em 2026, o desafio dos candidatos com base política macaense será transformar essa força municipal em votação regional e estadual suficiente para competir pelas cadeiras destinadas ao Rio de Janeiro.

Com a votação marcada para 4 de outubro de 2026, a disputa entra na reta final com diferentes grupos políticos tentando convencer o eleitorado de que Macaé pode voltar a possuir uma voz diretamente ligada ao município na Câmara dos Deputados em Brasília. A definição, porém, dependerá não apenas da votação individual, mas também do desempenho dos partidos e federações no sistema proporcional.

As situações dos registros citadas nesta reportagem correspondem às informações disponíveis em 21 de setembro de 2026 e podem sofrer alterações por decisões posteriores da Justiça Eleitoral.