Ministério da Justiça Encaminha à PF Pedido de Investigação contra Flávio Bolsonaro por Publicação nas Redes Sociais

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O encaminhamento, pelo Ministério da Justiça, de um pedido à Polícia Federal para avaliar uma postagem do senador Flávio Bolsonaro reacende um debate sensível para qualquer democracia: até que ponto o Estado pode — ou deve — intervir diante de críticas políticas dirigidas a autoridades públicas.

A representação, feita por uma deputada do PT sob a alegação de crime contra a honra do presidente da República, foi acolhida administrativamente pelo ministério e enviada à Polícia Federal, ainda que o conteúdo questionado se insira no campo do debate político e da manifestação de opinião.

É legítimo que cidadãos e parlamentares busquem o Judiciário quando se sentem ofendidos. No entanto, quando o próprio Executivo mobiliza sua estrutura para tratar de manifestações críticas a seus integrantes, impõe-se cautela redobrada. O risco é transformar divergência política em questão policial, o que não contribui para o fortalecimento das instituições.

A Constituição assegura ampla liberdade de expressão, especialmente no debate público, e confere aos parlamentares imunidade por opiniões proferidas no exercício de suas funções. Ignorar esses parâmetros pode gerar precedentes indesejáveis e comprometer a confiança da sociedade na imparcialidade do Estado.

Mais do que a postagem em si, preocupa o sinal que se emite ao permitir que disputas políticas avancem sobre o terreno da persecução penal. Democracias maduras preservam o espaço da crítica, mesmo quando ela é dura, desconfortável ou excessiva.

Por Marcos Soares – Jornalista – Analista Político