A Polícia Federal vai realizar uma acareação entre o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e o deputado José Rocha (União-BA). A medida foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, no âmbito de um inquérito que apura suspeitas de desvios de emendas parlamentares do chamado Orçamento Secreto.
A acareação ocorre no contexto da investigação que atingiu a ex-assessora de Lira, Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada em 12 de dezembro do ano passado. O inquérito tramita no Supremo e busca esclarecer o fluxo de indicação e liberação de recursos orçamentários durante a gestão de Lira à frente da Câmara.
Deputados ouvidos pela PF relataram que Tuca possuía uma visão ampla sobre a destinação das emendas parlamentares dentro da Casa. Entre os parlamentares que sustentaram essa versão está José Rocha, que apontou a atuação da ex-assessora como central na organização e no repasse das informações.
Em depoimento, Rocha afirmou que documentos como minutas de ofícios e planilhas de indicação de recursos oriundos da presidência da Câmara eram encaminhados por Tuca. Segundo o deputado, a comunicação se dava de maneira informal, principalmente por meio do aplicativo WhatsApp.
A acareação tem como objetivo confrontar as versões apresentadas por Arthur Lira e José Rocha sobre o papel da ex-assessora e o funcionamento do esquema de distribuição das emendas. A definição da data do procedimento depende agora da Polícia Federal, já que a autorização do STF foi concedida.
A coluna Manoela Alcântara acompanha os desdobramentos do caso e apura quando a acareação será marcada.


