Por Flávia Moreno em parceria com Milena Verardo.
É um cenário familiar no mundo dos negócios: uma empresa de médio porte celebra um crescimento recorde de faturamento, expande suas operações e conquista novos mercados. No entanto, nos bastidores, a realidade é de uma luta constante para pagar as contas, renegociar dívidas e gerenciar um fluxo de caixa imprevisível. Este paradoxo, que assombra inúmeros empreendedores, é o foco do trabalho de Leandro Borges, um especialista em finanças que tem se dedicado a diagnosticar e resolver a fragilidade financeira que se esconde por trás de fachadas de sucesso. Com uma carreira consolidada na liderança de tesourarias em setores de alta complexidade, como o hospitalar e o de varejo, e com experiência em processos de project finance, Borges percebeu um padrão: o crescimento acelerado, quando não acompanhado por uma governança financeira robusta, torna-se uma fonte de risco. “Muitas empresas focam exclusivamente na receita, no topo do demonstrativo de resultados, e negligenciam a gestão da liquidez, da dívida e dos riscos. Elas crescem, mas crescem de forma desordenada, criando uma estrutura financeiramente instável”, explica Borges. Essa percepção o levou a aprofundar seus estudos e a desenvolver uma abordagem que ele chama de “democratização do treasury corporativo”. A ideia é adaptar as práticas sofisticadas de gestão de tesouraria, tradicionalmente restritas a grandes corporações, para a realidade de empresas de médio porte. Este esforço resultou em uma série de artigos acadêmicos de revisão sistemática, que vêm impactando o campo da gestão financeira.
Em seu primeiro artigo, “Gestão Avançada de Liquidez em Pequenas e Médias Empresas”, Borges critica a abordagem retrospectiva que muitas empresas adotam, limitando-se a um controle básico de caixa sem instrumentos de previsão confiáveis. O trabalho propõe a adoção de modelos estruturados que ampliam a previsibilidade f inanceira e reduzem os riscos operacionais. O segundo artigo, “Estruturação e Monitoramento de Dívida como Estratégia de Redução de Risco Financeiro”, aborda a gestão da dívida sob a perspectiva da governança. Borges argumenta que o endividamento reativo e sem critérios técnicos claros é uma das principais causas da fragilidade financeira. O artigo analisa o papel dos covenants (cláusulas contratuais de proteção) como ferramentas de monitoramento contínuo, integrando a teoria de risco financeiro com práticas de tesouraria aplicáveis a empresas de médio porte. Finalmente, em “Democratização do Treasury Corporativo”, Borges propõe um modelo para a implementação de estruturas eficientes de tesouraria sem a necessidade de replicar integralmente os modelos corporativos. O artigo defende a escalabilidade, a proporcionalidade da governança e a racionalização dos processos, mostrando que é possível ter uma gestão financeira sofisticada e adequada à realidade de cada empresa.
O trabalho de Leandro Borges, tanto em sua atuação como consultor quanto em sua produção acadêmica, oferece uma resposta clara ao paradoxo do crescimento frágil. A mensagem é que o faturamento, por si só, não é sinônimo de saúde financeira. A sustentabilidade de um negócio reside na disciplina e na inteligência com que ele gerencia seus recursos, seus riscos e suas obrigações. Ao “democratizar” as ferramentas de governança financeira, Borges está oferecendo às empresas de médio porte não apenas uma forma de sobreviver ao seu próprio crescimento, mas de transformá-lo em uma base sólida para um futuro próspero e resiliente.

