Reino Unido sanciona empresa brasileira por suposta ligação com “frota fantasma” do petróleo russo

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O governo do Reino Unido anunciou um novo pacote de sanções contra empresas acusadas de integrar a chamada “frota fantasma” que comercializa petróleo russo para financiar a guerra na Ucrânia. Entre as 300 novas medidas está a inclusão da brasileira Brasilleum Energy Trading, com sede em Belo Horizonte.

A decisão foi confirmada pelo primeiro-ministro Keir Starmer, que classificou o pacote como um dos mais abrangentes já adotados por Londres desde o início do conflito no Leste Europeu. Segundo o governo britânico, o objetivo é sufocar as rotas alternativas usadas por Moscou para driblar restrições internacionais e manter o fluxo de receitas do petróleo.

De acordo com as autoridades britânicas, a Brasilleum seria parte de uma rede empresarial ligada ao grupo 2Rivers, sediado em Dubai e apontado como operador relevante no comércio paralelo de petróleo russo. A empresa brasileira é administrada pelo empresário azeri Natig Damirov e pelo brasileiro Eduardo Paoliello Nicolau.

As sanções impostas incluem congelamento de ativos sob jurisdição britânica, restrições financeiras e proibição de acesso a portos do Reino Unido. Na prática, a medida tende a dificultar a contratação de seguradoras marítimas, bancos internacionais e transportadoras — setores fortemente influenciados pelas normas britânicas e europeias — ampliando o isolamento comercial da companhia.

A chamada “frota fantasma” é composta por navios que operam com estruturas societárias opacas, bandeiras de conveniência e sistemas alternativos de seguro, estratégia utilizada para contornar o teto de preço imposto ao petróleo russo por países ocidentais.

No Brasil, a Brasilleum possui autorização de funcionamento junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A agência informou que não há registros de operações efetivas da empresa no país nem comunicação formal sobre a sanção aplicada pelo governo britânico.

O episódio adiciona um novo elemento de pressão diplomática e comercial ao setor energético brasileiro, que, embora não esteja sujeito às mesmas restrições impostas por União Europeia e Reino Unido, pode enfrentar impactos indiretos caso empresas nacionais sejam vinculadas a esquemas internacionais de evasão de sanções.

Até o momento, os administradores da Brasilleum não se manifestaram publicamente sobre a inclusão da companhia na lista de sanções.

 

 

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