BRASÍLIA — O Senado Federal passará por uma das maiores mudanças de sua composição política nas últimas décadas a partir de 1º de fevereiro de 2027, quando tomarão posse os parlamentares escolhidos nas eleições de 2026. Dois terços da Casa estiveram em disputa no primeiro turno realizado em 4 de outubro, correspondendo a 54 das 81 cadeiras.

A principal mudança será o crescimento do Partido Liberal (PL). A legenda elegeu 19 senadores nas vagas disputadas neste ano e, considerando os parlamentares que ainda possuem mandato, deverá iniciar 2027 com 28 integrantes, formando a maior bancada do Senado. Segundo levantamento da Agência Senado, será a maior bancada de um único partido no início de uma legislatura desde a Constituição de 1988.

O PT aparece na sequência, com nove senadores, enquanto o MDB deverá contar com oito parlamentares. União Brasil e PP aparecem com seis representantes cada. Republicanos e PSD ficam com cinco cadeiras cada, de acordo com a projeção divulgada após o primeiro turno.

Veja a composição projetada do Senado para 2027

A distribuição partidária prevista atualmente é:

  • PL — 28 senadores

  • PT — 9

  • MDB — 8

  • União Brasil — 6

  • PP — 6

  • Republicanos — 5

  • PSD — 5

  • PSB — 4

  • Novo — 3

  • PSDB — 2

  • Podemos — 2

  • Rede — 1

  • PDT — 1

  • Sem partido — 1

Ao todo, 13 partidos deverão ter representação na Casa. O senador atualmente sem filiação partidária considerado na projeção é Romário, do Rio de Janeiro.

PL passa a ocupar mais de um terço do Senado

Com 28 das 81 cadeiras, o PL sozinho deverá controlar aproximadamente 34,6% do Senado.

A dimensão da bancada ganha importância porque diversas decisões da Casa dependem de quóruns específicos. Uma Proposta de Emenda à Constituição, por exemplo, precisa do apoio de três quintos dos senadores — 49 votos — em dois turnos. Já determinadas decisões que exigem dois terços da Casa necessitam de 54 votos.

Portanto, apesar de possuir uma bancada muito superior à das demais legendas, o PL não terá sozinho votos suficientes para aprovar mudanças constitucionais ou matérias submetidas aos quóruns mais elevados. Será necessário construir alianças com outras bancadas.

União e PP somam força parlamentar

Outro grupo com peso importante será formado por União Brasil e PP, integrantes da Federação União Progressista. Embora sejam contabilizados separadamente como bancadas dentro do Senado, juntos os dois partidos devem somar 12 senadores na configuração projetada após o primeiro turno.

Somados PL, União e PP, são 40 cadeiras. Ainda assim, a posição individual de cada senador e os acordos formados durante as votações serão determinantes, já que filiação partidária não significa necessariamente voto automático em todas as matérias.

PSD registra uma das maiores reduções

Entre as principais mudanças está a diminuição do tamanho do PSD.

A legenda, que chegou a possuir uma das maiores bancadas do Senado durante a atual legislatura, deverá iniciar 2027 com aproximadamente cinco representantes, segundo a projeção da Agência Senado.

O movimento representa uma mudança importante no equilíbrio interno da Casa, principalmente porque bancadas como PSD, MDB e União Brasil tiveram papel decisivo na construção de maiorias parlamentares durante os últimos anos.

Senado terá 40 novos integrantes

A renovação também será expressiva do ponto de vista individual.

Das 54 cadeiras colocadas em disputa, 40 serão ocupadas por senadores que não estavam exercendo esses mandatos, enquanto 14 parlamentares conseguiram a reeleição. Dos 32 senadores que tentaram permanecer no cargo, apenas 14 foram reconduzidos.

Isso representa uma renovação de aproximadamente 74% das cadeiras disputadas em 2026.

Entre os reeleitos estão nomes como Carlos Portinho, Eduardo Gomes, Humberto Costa, Jaques Wagner, Marcelo Castro, Marcio Bittar, Alessandro Vieira e Veneziano Vital do Rêgo.

Bancada feminina também cresce

Outra mudança histórica ocorrerá na participação das mulheres.

Doze mulheres foram eleitas senadoras nas 54 vagas disputadas, e a projeção é de que a bancada feminina alcance 18 integrantes em 2027, o maior número registrado até agora no Senado.

No Distrito Federal, por exemplo, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, foram eleitas e se juntarão a Damares Alves, do Republicanos, cujo mandato segue até 2031. Assim, as três vagas do DF estarão ocupadas por mulheres.

Composição terá impacto na relação com o STF

A nova formação do Senado também ganha importância institucional pela competência exclusiva da Casa para analisar indicações a postos estratégicos do Estado.

Cabe ao Senado, por exemplo, aprovar indicações para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e para o cargo de procurador-geral da República, decisões que exigem maioria absoluta, equivalente atualmente a 41 dos 81 senadores.

Também compete ao Senado processar e julgar determinadas autoridades nos crimes de responsabilidade, incluindo ministros do Supremo, conforme estabelece a Constituição.

Por isso, a composição que emerge das urnas de 2026 poderá modificar a dinâmica política entre Congresso, Presidência da República e Poder Judiciário durante os próximos anos.

Presidência do Senado entra no centro das articulações

Uma das primeiras disputas da nova legislatura será justamente a escolha do comando da Casa.

Os senadores escolherão, em fevereiro de 2027, o presidente do Senado para o próximo biênio. O tamanho das novas bancadas será um dos elementos centrais das negociações para a formação da Mesa Diretora.

Com 28 parlamentares, o PL chegará à abertura da legislatura como principal bancada individual e, consequentemente, com peso significativo nas negociações. Entretanto, a eleição para o comando da Casa dependerá da formação de maioria entre diferentes partidos.

Segundo turno ainda pode alterar números

A atual configuração, porém, ainda deve ser tratada como projeção.

Três senadores que possuem mandato até 2031 avançaram ao segundo turno das disputas estaduais: Alan Rick, no Acre; Omar Aziz, no Amazonas; e Professora Dorinha Seabra, no Tocantins. Caso sejam eleitos governadores, seus suplentes assumirão as vagas no Senado, podendo alterar a composição partidária.

Há ainda situações jurídicas pendentes, como a candidatura de Deltan Dallagnol, eleito pelo Novo no Paraná, cuja situação poderá continuar sendo analisada pela Justiça Eleitoral.

Mudanças de partido, licenças, nomeações para ministérios e substituições por suplentes também podem modificar o desenho definitivo até fevereiro.

Um Senado diferente a partir de 2027

O resultado de 2026 redesenha profundamente o Senado.

Além de uma elevada renovação individual, haverá maior concentração de parlamentares no PL e redução de algumas das bancadas que tradicionalmente ocuparam posição central na construção de maiorias.

A composição definitiva será fundamental para debates envolvendo reformas constitucionais, indicações ao STF, projetos econômicos, segurança pública, relações entre os Poderes e eventuais processos envolvendo autoridades.

A nova legislatura começa oficialmente em 1º de fevereiro de 2027, quando os 54 senadores eleitos em outubro assumirão mandatos de oito anos, com término previsto para 31 de janeiro de 2035.