Enquanto você protege todos, quem protege o que você construiu

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E agora, Doutora?

Existe uma característica que vejo repetidamente nas mulheres que chegam ao meu escritório.
São médicas, empresárias, advogadas, engenheiras, dentistas, profissionais bem-sucedidas. Mulheres inteligentes, disciplinadas e acostumadas a resolver problemas.

Elas protegem os filhos.
Protegem os pais.
Protegem os funcionários.
Protegem a empresa.
Protegem o casamento.
Protegem a imagem da família.
Mas quase nunca protegem a si mesmas.

Essa realidade não acontece por falta de inteligência. Pelo contrário. Acontece porque muitas foram educadas para acreditar que cuidar da família significa confiar integralmente na administração do marido.
Enquanto elas trabalham, atendem pacientes, administram clínicas, lideram empresas ou sustentam parte significativa da renda familiar, outra pessoa controla as contas bancárias, os investimentos, os contratos, os imóveis e as decisões financeiras.
E isso parece funcionar… até o dia em que deixa de funcionar.

O problema é que o patrimônio não desaparece apenas quando alguém vende um imóvel escondido.
Ele começa a desaparecer quando a mulher deixa de saber o que possui.
Quem não conhece seu patrimônio também não consegue protegê-lo.

Ao longo da minha atuação, percebo que a maior vulnerabilidade não é jurídica.
É informacional.

Muitas mulheres não sabem:
• quantos imóveis a família possui;
• quais empresas existem;
• em nome de quem estão registrados os bens;
• quais aplicações financeiras foram feitas;
• quais dívidas foram assumidas;
• quanto realmente entra e sai da empresa da família.

E quando a crise do casamento chega, descobrir essas informações passa a ser muito mais difícil.
É comum ouvir frases como:
“Eu sempre confiei.”
“Ele cuidava de tudo.”
“Eu nunca achei que precisaria saber.”
Confiar não é um erro.
Abrir mão completamente do conhecimento pode ser.

Informação não destrói um casamento.
A falta dela pode destruir o futuro financeiro de uma mulher.
Proteger o patrimônio não significa preparar um divórcio.
Significa exercer uma administração responsável da própria vida.
Da mesma forma que ninguém dirige um carro olhando apenas pelo retrovisor, também não é prudente construir uma vida inteira sem conhecer aquilo que foi conquistado com o esforço da família.
Toda mulher deveria conhecer a realidade patrimonial da sua casa, independentemente da qualidade do relacionamento.

Isso não demonstra desconfiança.
Demonstra maturidade.
Porque casamento é um projeto de vida em comum.
E projetos sólidos são construídos com transparência.
A verdadeira segurança patrimonial começa muito antes de existir qualquer processo judicial.
Ela começa quando a mulher entende que proteger todos também inclui proteger a si mesma.
E essa talvez seja uma das decisões mais inteligentes que ela poderá tomar.

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ADRIANA DE ANDRADE RAMOS BORRACHINI
Graduada pela Universidade Nove de Julho/SP
Especialista em Divórcio, Guarda e Pensão Alimentícia
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Adriana Borrachini
Advogada | Direito de Família e Patrimônio
OAB/RJ nº 208.892 | OAB/MG nº 150.146

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