Ex-atirador de elite e ex-subcomandante do BOPE, João Jacques Soares Busnello aposta na experiência policial para disputar o Palácio Guanabara pelo Partido Missão
A eleição de 2026 coloca no centro da disputa pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro um nome cuja trajetória foi construída principalmente dentro das forças de segurança. O coronel da Polícia Militar João Jacques Soares Busnello, conhecido politicamente como Coronel Busnello, foi oficializado pelo Partido Missão como candidato ao Palácio Guanabara.
A candidatura foi confirmada em convenção realizada em julho. Na chapa, o bombeiro militar Rafael Luz, que inicialmente seria candidato ao governo, passou a concorrer como vice-governador. Hélio Secco foi escolhido pelo partido para disputar uma vaga ao Senado.
A escolha de Busnello representa uma aposta clara do Missão em um candidato identificado com uma das questões que mais mobilizam o eleitorado fluminense: a segurança pública.
QUEM É CORONEL BUSNELLO?
João Jacques Soares Busnello nasceu em 6 de agosto de 1970, em Iraí, no Rio Grande do Sul. Ainda adolescente, mudou-se para o Rio de Janeiro e construiu sua carreira profissional na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
Ao longo de aproximadamente três décadas na segurança pública, Busnello passou por diferentes unidades da corporação. Sua trajetória inclui atuação no Batalhão de Operações Policiais Especiais, o BOPE, onde trabalhou como atirador de precisão e chegou ao cargo de subcomandante.
Também comandou batalhões da Polícia Militar e exerceu funções no Batalhão Especial Prisional e no Grupamento Especial de Policiamento em Estádios. Registros oficiais e reportagens sobre sua carreira também apontam sua passagem pelo comando de unidades como o 6º BPM, na Tijuca, e o 15º BPM, em Duque de Caxias.
Sua atuação como atirador do BOPE ganhou notoriedade nacional em 2009, quando participou de uma operação de resgate de um refém em Vila Isabel. O episódio passou a fazer parte da imagem pública do policial.
DA POLÍCIA PARA A POLÍTICA
A entrada de Busnello na política eleitoral ocorreu antes da atual candidatura ao Governo do Rio.
Em 2018, concorreu a deputado federal pelo PRTB e recebeu 15.768 votos, sem conseguir uma cadeira na Câmara dos Deputados. Em 2022, novamente disputou uma vaga de deputado federal, desta vez pelo PSD, obtendo 774 votos e ficando como suplente.
Em 2026, porém, sua candidatura ganhou outra dimensão. Inicialmente anunciado como candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo bombeiro Rafa Luz, Busnello passou posteriormente ao posto principal da candidatura.
A mudança reforçou a estratégia do Partido Missão de apresentar ao eleitor fluminense um candidato fortemente associado ao combate ao crime organizado e à segurança pública.
SEGURANÇA PÚBLICA COMO PRINCIPAL BANDEIRA
A campanha de Busnello tem na segurança pública seu principal eixo.
Ao anunciar sua candidatura, o coronel afirmou que aceitou o desafio diante do que considera uma grave crise na segurança do estado e defendeu uma transformação profunda na área. Em declarações públicas, também adotou um discurso de endurecimento contra criminosos e facções.
O discurso coloca Busnello em uma posição de forte confronto com o crime organizado.
O candidato afirma que pretende combater as facções que atuam no território fluminense e apresenta sua experiência operacional na Polícia Militar como um dos principais diferenciais para o exercício do cargo.
O próprio comando nacional do Missão também associa a candidatura à ideia de enfrentamento direto ao crime organizado. Durante o anúncio da chapa, Renan Santos afirmou que, caso eleito presidente, poderia oferecer apoio federal ao Rio e recorrer aos mecanismos previstos constitucionalmente para uma eventual intervenção federal, se considerasse necessário.
O QUE BUSNELLO PRETENDE FAZER NO GOVERNO DO RIO?
Embora a segurança seja claramente o tema central de sua campanha, uma avaliação jornalística precisa separar aquilo que já foi declarado publicamente pelo candidato daquilo que ainda dependerá de um programa de governo detalhado.
Entre as diretrizes que aparecem com maior clareza no discurso de Busnello estão:
1. Enfrentamento ao crime organizado
O candidato coloca o combate às facções criminosas no centro de sua proposta para o estado.
2. Fortalecimento da segurança pública
Sua experiência na PM e no BOPE é apresentada como instrumento para reorganizar e fortalecer as forças de segurança.
3. Maior integração entre as forças policiais
A experiência de Busnello em diferentes unidades da PM pode favorecer uma proposta de maior integração operacional entre os órgãos de segurança.
4. Combate à corrupção
O discurso do Partido Missão associa a crise da segurança pública à corrupção e à deterioração institucional. A candidatura se apresenta, portanto, também como uma proposta de mudança na estrutura política e administrativa do estado.
5. Apoio federal no combate ao crime
O projeto político do Missão defende uma atuação mais dura contra organizações criminosas e admite a utilização dos instrumentos federais disponíveis para auxiliar estados em situações consideradas extremas.
UM CANDIDATO DE PERFIL DIFERENTE
A candidatura de Busnello representa uma mudança em relação aos políticos tradicionais que historicamente disputam o Governo do Rio.
Sua principal credencial eleitoral não é uma longa carreira parlamentar ou administrativa, mas a experiência acumulada em operações policiais e no comando de unidades da Polícia Militar.
Isso pode ser uma vantagem junto ao eleitor que deseja respostas mais duras para a criminalidade.
Por outro lado, uma eventual administração estadual exigiria muito mais do que experiência operacional. Saúde, educação, transporte, habitação, infraestrutura, saneamento, desenvolvimento econômico, equilíbrio fiscal e gestão pública também fazem parte das responsabilidades de um governador.
Esse será um dos principais desafios políticos de Busnello: transformar uma trajetória essencialmente ligada à segurança pública em um projeto abrangente de governo.
E SE BUSNELLO FOSSE PRESIDENTE DA REPÚBLICA?
É importante esclarecer: Busnello não é candidato à Presidência da República em 2026.
O candidato do Partido Missão à Presidência é Renan Santos. Busnello disputa o Governo do Rio de Janeiro.
Ainda assim, seu perfil permite imaginar quais seriam as prioridades de um eventual governo federal liderado por alguém com sua formação.
A segurança pública provavelmente ocuparia posição central.
Um presidente com o perfil político apresentado por Busnello tenderia a defender maior integração entre Polícia Federal, Forças Armadas e forças estaduais dentro das competências legais de cada instituição; fortalecimento do combate ao crime organizado; maior controle das fronteiras; combate ao tráfico de drogas e armas; inteligência policial; e ações coordenadas contra organizações criminosas.
Entretanto, essa projeção não deve ser apresentada como um programa presidencial oficial de Busnello. São inferências baseadas em sua trajetória e nas posições que ele vem defendendo na campanha estadual.
O QUE UM EVENTUAL GOVERNO FEDERAL DESTE PERFIL PODERIA PRIORIZAR?
Caso um político com a visão de segurança apresentada por Busnello chegasse à Presidência, algumas prioridades seriam previsíveis:
Segurança nacional e combate às facções
O governo poderia buscar ampliar a cooperação entre União e estados para combater organizações criminosas que atuam em vários territórios.
Inteligência
A utilização de inteligência policial, investigação financeira e compartilhamento de informações poderia ganhar maior importância no combate ao crime organizado.
Fronteiras
O controle de fronteiras terrestres, portos e aeroportos poderia receber atenção especial diante do tráfico internacional de drogas, armas e outros crimes.
Sistema prisional
A administração penitenciária provavelmente seria tratada como parte estratégica do combate às facções, especialmente diante da capacidade de organizações criminosas continuarem operando a partir de presídios.
Integração entre governos
A experiência de um governador oriundo da segurança pública poderia levar a uma tentativa de ampliar a cooperação direta entre União, estados e municípios.
Mas há uma questão fundamental: qualquer política de segurança de um eventual governo federal estaria submetida à Constituição, às leis e às competências específicas de cada órgão público.
O DESAFIO ALÉM DA SEGURANÇA
O principal teste político para Busnello, caso seja eleito governador, será mostrar que sua experiência policial pode ser transformada em capacidade de administrar um estado complexo como o Rio de Janeiro.
O Estado possui uma economia diversificada, grandes regiões metropolitanas, municípios com realidades completamente diferentes e problemas históricos em áreas como saúde, educação, mobilidade, infraestrutura e segurança.
Por isso, a eleição de 2026 poderá representar para Busnello não apenas uma disputa sobre quem consegue apresentar o discurso mais duro contra o crime, mas também uma avaliação sobre sua capacidade de construir um projeto completo de administração pública.
UM NOVO CAPÍTULO NA CARREIRA
A candidatura ao Palácio Guanabara é a terceira tentativa de Busnello de conquistar um mandato eletivo e, até aqui, a mais importante de sua trajetória política.
Depois de décadas dentro da Polícia Militar e de uma passagem pelo BOPE que marcou sua imagem pública, o coronel agora tenta convencer o eleitor de que a experiência adquirida no combate ao crime pode ser convertida em capacidade para comandar todo o Estado do Rio de Janeiro.
O resultado das urnas dirá se o eleitor fluminense considera suficiente essa experiência para assumir o Palácio Guanabara ou se prefere candidatos com trajetórias políticas e administrativas diferentes.
Uma coisa, porém, já está definida: Coronel Busnello transformou sua experiência na segurança pública no principal argumento de sua candidatura e colocou o combate ao crime organizado no centro da disputa pelo Governo do Rio em 2026.


