O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a contar com um esquema reforçado de segurança enquanto conduz investigações de grande repercussão envolvendo o Banco Master e suspeitas de irregularidades relacionadas a descontos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Entre as medidas adotadas estão o aumento da presença de agentes de segurança, a utilização de veículos blindados e, em determinadas situações, o uso de colete à prova de balas. A proteção também foi ampliada para familiares do magistrado.

O reforço ocorre após avaliações sobre o nível de risco relacionado à atuação do ministro. Uma análise interna apontou aumento do risco à integridade física de Mendonça, levando à adoção de um protocolo com maior número de policiais e acompanhamento mais ostensivo em algumas atividades.

Investigações de grande repercussão

Mendonça está à frente de procedimentos relacionados ao Banco Master e também de apurações envolvendo suspeitas de fraudes em descontos de beneficiários do INSS. Os casos alcançaram autoridades e personagens com atuação política e institucional, aumentando a exposição pública das investigações.

Reportagens publicadas em setembro informaram que pessoas próximas ao ministro passaram a demonstrar preocupação com a possibilidade de ameaças e até de um eventual atentado. Também foram relatados receios relacionados a uma possível tentativa de intimidação ou de eliminação de provas e envolvidos — cenário descrito nos bastidores como risco de “queima de arquivo”.

Essas informações, entretanto, devem ser tratadas com cautela. Até o momento, não há confirmação pública de que tenha sido identificado um plano concreto de atentado contra André Mendonça.

Inclusive, uma verificação publicada anteriormente pelo Estadão Verifica classificou como falsa uma narrativa que afirmava que o ministro já teria sofrido um atentado relacionado ao caso Banco Master.

Retirada de sigilo também provocou repercussão

Segundo a CNN Brasil, integrantes do entorno do ministro afirmaram que preocupações de segurança também estiveram entre os fatores considerados na decisão de tornar público um relatório relacionado às investigações. A divulgação do documento provocou forte repercussão dentro e fora do Supremo e ampliou a atenção sobre informações produzidas durante as apurações.

O caso Banco Master continua produzindo novos desdobramentos. Nesta sexta-feira (2), o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que eventuais fatos envolvendo ministros da Corte devem ser apurados de maneira integral e “sem exceção”, respeitando as atribuições institucionais da Polícia Federal, do Ministério Público e do Supremo.

Por questões de segurança, os órgãos responsáveis não divulgam detalhes operacionais sobre deslocamentos, número de agentes, rotas ou outros procedimentos utilizados na proteção do ministro e de seus familiares.

O reforço do esquema evidencia o grau de atenção dedicado à segurança de Mendonça enquanto avançam investigações que permanecem sob forte repercussão jurídica, política e institucional em Brasília.