Brasília voltou a ferver. Em um movimento considerado ousado — e calculado — o relator do projeto da Dosimetria no Senado apresentou um novo Projeto de Lei que propõe a Anistia Total para envolvidos em episódios recentes que ainda reverberam no Judiciário e na política nacional. A iniciativa recoloca o Congresso no centro do tabuleiro institucional e expõe, mais uma vez, as fragilidades da relação entre os Poderes sob o governo Lula.
A proposta surge em meio a um ambiente de desgaste político do Executivo, críticas crescentes à condução do país e uma percepção, cada vez mais vocalizada nos corredores do Congresso, de que o Judiciário avançou sobre competências que deveriam ser resolvidas no campo político. Para os defensores do PL, a anistia representa não apenas uma correção de rumos, mas uma tentativa concreta de pacificação nacional e de restauração da segurança jurídica.
Parlamentares alinhados ao projeto afirmam que o Brasil vive um ciclo prolongado de instabilidade institucional, agravado por decisões judiciais consideradas desproporcionais e por um governo que, segundo eles, prefere assistir de camarote ao conflito entre Poderes em vez de atuar como mediador. “É preciso virar a página”, dizem aliados do texto, que veem na anistia um gesto político capaz de reduzir tensões e devolver previsibilidade ao sistema.
Do outro lado, a reação foi imediata. Integrantes do STF e representantes de órgãos jurídicos sinalizaram incômodo com a proposta, reforçando o clima de confronto institucional que marca o terceiro mandato de Lula. Entidades civis e organizações internacionais também passaram a pressionar, repetindo discursos que, para críticos, ignoram o contexto político brasileiro e reforçam uma narrativa seletiva sobre democracia e responsabilização.
No Congresso, a polarização é evidente. Enquanto a base governista tenta rotular o projeto como “retrocesso”, líderes do Centrão e da oposição articulam ajustes no texto para ampliar apoio e reduzir riscos jurídicos. As negociações de bastidores seguem intensas, com olho não apenas no mérito da proposta, mas em seu potencial impacto nas eleições municipais, onde o tema promete ser explorado politicamente.
O fato é que o governo Lula após vetar a PL da Dosimetria perde o controle da agenda— diante de um debate dessa magnitude, o Planalto reforça críticas ao que chama de “golpe” do 08 de janeiro.
A Anistia Total voltou ao centro do poder. Seja como instrumento de pacificação, seja como catalisador de novos embates, o projeto já cumpre um papel claro: expor as tensões de um governo acuado e de um sistema político em busca de equilíbrio. Em Brasília, o alerta está aceso — e essa discussão está apenas começando.


