Secretária não se manifesta enquanto chefe de gabinete é citada em contratos e relatório interno da Prefeitura
No município de Casimiro de Abreu, o escândalo envolvendo possíveis irregularidades no abastecimento da frota municipal ganhou novos desdobramentos após a inclusão do nome de uma servidora estratégica da área da saúde. Até o momento, a secretária municipal de Saúde, Luciana Dames, não se pronunciou publicamente sobre o caso, que envolve diretamente sua chefe de gabinete, Thainá de Oliveira Domingues.
A ausência de posicionamento ocorre em meio à gravidade das denúncias, apontadas em relatório interno da própria Prefeitura, que já resultaram na exoneração do então secretário municipal de Agricultura e Pesca, além de outros dois servidores supostamente envolvidos.
De acordo com o documento, Thainá de Oliveira Domingues aparece como peça central no caso ao acumular três vínculos simultâneos: além da função de chefe de gabinete na Secretaria de Saúde, ela é sócia-administradora da empresa ECOAUTO Empreendimentos e responsável técnica pela TRM Soluções — ambas com contratos ou subcontratos com o município.
No caso da ECOAUTO, o relatório aponta o pagamento por um serviço de manutenção que não teria sido executado. Segundo a apuração, uma ordem de serviço foi aberta, quitada e encerrada sem que o reparo fosse realizado, sendo necessária a abertura de uma nova ordem para o mesmo equipamento, o que levanta indícios de falha ou irregularidade no processo.
Já a TRM Soluções mantém contratos considerados expressivos com o Fundo Municipal de Saúde, com valores que ultrapassam R$ 700 mil apenas em 2025. Os contratos estariam inseridos na mesma estrutura administrativa onde a servidora exerce função de chefia, o que intensifica questionamentos sobre possível conflito de interesses.
O silêncio da titular da pasta tem ampliado a pressão por esclarecimentos e alimentado dúvidas sobre eventual conhecimento prévio das irregularidades dentro da Secretaria de Saúde.
O caso segue sob investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Comunicação MP/RJ – 1092136). Enquanto isso, moradores aguardam respostas oficiais, à medida que as denúncias ganham repercussão e ampliam a dimensão do escândalo.


