
Às vésperas de mais uma decisão presidencial, o brasileiro tem o direito — e o dever — de olhar para além dos discursos de campanha e confrontar promessas com resultados. Luiz Inácio Lula da Silva chega novamente ao julgamento das urnas carregando uma trajetória marcada por forte presença em escândalos, aliados envolvidos em corrupção e por controvérsias, aumento da arrecadação tributária e promessas que continuam sendo cobradas por parte da população.
Um dos principais pontos de desgaste do atual governo está justamente na política tributária. Estudo publicado pelo Senado Federal analisou uma série de medidas adotadas entre 2023 e 2025 que ampliaram a arrecadação federal. O levantamento classificou 2023 como um ano marcado por um conjunto robusto de medidas de elevação de receitas e apontou nova intensificação em 2025.
Os números oficiais também mostram aumento da carga tributária brasileira. Segundo o Tesouro Nacional, ela passou para 32,32% do PIB em 2024, crescimento de 2,06 pontos percentuais em relação a 2023. Em 2025, chegou a 32,40% do PIB. Mostram um país no qual o peso dos tributos continua ocupando espaço relevante na economia e no orçamento de empresas e famílias.
Da picanha à caneta emagrecedora
Poucas frases simbolizaram tanto a campanha presidencial de 2022 quanto a promessa de que o brasileiro voltaria a fazer churrasco, comer picanha e tomar cerveja.
Agora, em plena campanha de 2026, outro produto ganhou espaço no discurso político: as chamadas canetas emagrecedoras.
Em pouco mais de 15 dias para as eleições, Lula concede aumento para os beneficiários do bolsa família e promete a tal caneta eleitoreira, e concede aumento ao bolsa eleitoreira. Tudo isso com anuência do STF
Escândalos continuam pesando sobre a história política
Também é impossível analisar a trajetória política de Lula sem mencionar os grandes casos de corrupção revelados ao longo dos governos petistas.
Mensalão, investigações da Petrobras e a Operação Lava Jato marcaram profundamente a política brasileira. Lula chegou a ser condenado nos processos do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações ao concluir que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar aqueles processos. A Segunda Turma do STF também declarou a suspeição do então juiz Sergio Moro no caso do triplex.
No atual governo, outro caso de enorme repercussão envolve os descontos associativos não autorizados em benefícios do INSS. Investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União apontaram aproximadamente R$ 6,3 bilhões em descontos realizados entre 2019 e 2024. O período investigado atravessa governos diferentes, o que também impede atribuir todo o esquema exclusivamente à atual administração.
Alessandro Stefanutto, que presidiu o INSS a partir de julho de 2023 durante o atual governo, foi preso pela Polícia Federal em novembro de 2025 no âmbito da Operação Sem Desconto.
São fatos que justificam cobrança rigorosa por transparência e responsabilização, independentemente do partido ou do governo atingido pelas investigações.
O discurso social precisa ser confrontado com os resultados
Lula construiu grande parte de sua carreira política apresentando-se como defensor das camadas mais pobres da população. Essa identidade continua sendo central em suas campanhas.
Mas programas sociais e transferências de renda, embora relevantes para milhões de famílias, não encerram a discussão sobre pobreza.
O debate que o Brasil precisa fazer é mais amplo: quantas famílias conseguem deixar definitivamente a dependência de benefícios? Quantos empregos de qualidade são criados? Quanto sobra no bolso depois dos impostos, da alimentação, da energia, do transporte e da moradia? Quanto o país cresce? Qual é a produtividade da economia? E qual será a conta deixada para os próximos anos?
Essas perguntas são mais importantes do que slogans.
O julgamento deve ser feito pelos resultados
Classificar Lula como o pior presidente da história é uma avaliação política.
Há fatos concretos para serem debatidos: aumento da carga tributária, medidas para elevar arrecadação, promessas de recuperação do poder de compra, decisões sobre gastos públicos, investigações que atingiram estruturas do Estado e escolhas realizadas pelo governo.
O eleitor brasileiro terá diante de si a tarefa de comparar esses resultados com as propostas apresentadas para os próximos quatro anos.
Campanhas passam. Slogans mudam. Promessas são renovadas.
Os números, os fatos e as consequências das decisões permanecem.
Marcos Soares
Jornalista e Analista Político



