Com a confirmação do segundo turno da eleição presidencial de 2026 entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), as atenções das duas campanhas passam agora também para os candidatos que ficaram fora da disputa.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro, depois de nenhum candidato alcançar a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno realizado neste domingo, 4 de outubro.

Nas primeiras horas após a apuração, entretanto, parte dos candidatos derrotados evitou transformar imediatamente o resultado das urnas em declaração formal de apoio.

ZEMA SINALIZA POSIÇÃO CONTRÁRIA AO PT

Entre os principais nomes derrotados, Romeu Zema, do Novo, apresentou até agora a sinalização mais clara.

Ao comentar o resultado, Zema afirmou que, onde o PT estiver no segundo turno, estará do lado contrário. O ex-governador mineiro, porém, não mencionou diretamente Flávio Bolsonaro em seu pronunciamento inicial.

Antes mesmo do primeiro turno, setores do Novo e aliados de Flávio já discutiam uma possível aproximação entre as duas campanhas.

Diante dessas declarações, existe uma aproximação política pública entre o posicionamento adotado por Zema e a candidatura que enfrenta Lula, embora uma eventual adesão formal precise ser tratada separadamente de suas declarações pessoais.

CAIADO E PSD: PARTIDO ESCOLHE NEUTRALIDADE

A situação de Ronaldo Caiado é diferente.

Após o resultado, Caiado afirmou que qualquer posicionamento passaria primeiro por uma conversa com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Pouco depois, o partido anunciou que adotaria neutralidade institucional no segundo turno, deixando diretórios estaduais e integrantes da legenda livres para tomar suas próprias decisões.

Isso significa que a posição nacional do PSD não representa automaticamente o posicionamento individual de Caiado nem impede que lideranças da legenda apoiem Lula ou Flávio Bolsonaro.

Nas próximas movimentações, portanto, será importante distinguir três elementos: a neutralidade do partido, a eventual posição pessoal de Caiado e os apoios anunciados por dirigentes estaduais.

AUGUSTO CURY DESCARTA APOIO

Augusto Cury, do Avante, adotou uma posição mais definida.

Após o primeiro turno, o escritor afirmou que não pretende manifestar apoio a nenhum dos dois candidatos que chegaram à etapa final da eleição. Cury também voltou a fazer críticas à polarização política.

Com isso, até o momento, não há declaração pública de apoio de Cury nem a Lula nem a Flávio Bolsonaro.

Essa posição pessoal, entretanto, não necessariamente determina o comportamento de todas as lideranças ou diretórios do Avante durante o segundo turno.

RENAN SANTOS MANTÉM DISTÂNCIA DOS DOIS CANDIDATOS

Outro nome observado é Renan Santos, do Partido Missão.

Renan fez críticas tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro durante a campanha e, depois da votação, não anunciou apoio a nenhum dos dois.

Pouco antes do primeiro turno, ele chegou a propor um debate com Flávio Bolsonaro relacionado à discussão sobre um eventual apoio, mas a movimentação não resultou, até agora, em adesão formal.

Assim, o quadro atual de Renan permanece de ausência de apoio declarado.

CANDIDATOS DE PARTIDOS MENORES TAMBÉM ENTRAM NO RADAR

Além dos candidatos com maior votação, as campanhas poderão acompanhar os posicionamentos de presidenciáveis de legendas menores, como Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e outros concorrentes que participaram do primeiro turno.

Até as primeiras horas desta segunda-feira, não havia informação consolidada em fontes nacionais consultadas sobre declarações pós-eleição de todos esses candidatos.

Por isso, qualquer associação automática deles a Lula ou Flávio Bolsonaro, baseada apenas na posição ideológica de seus respectivos partidos, seria precipitada sem um anúncio oficial.

APOIO PARTIDÁRIO NÃO SIGNIFICA TRANSFERÊNCIA AUTOMÁTICA DE VOTOS

Embora as declarações de antigos adversários tenham peso político e possam ampliar palanques estaduais, o apoio formal de um candidato derrotado não significa que todos os seus eleitores seguirão a mesma orientação.

O voto permanece individual, e os eleitores que escolheram outras candidaturas no primeiro turno poderão optar por Lula, Flávio Bolsonaro, voto branco, voto nulo ou abstenção no segundo turno.

Por isso, mais do que simplesmente somar os percentuais obtidos pelos candidatos eliminados, as duas campanhas deverão disputar esse eleitorado durante as próximas semanas.

COMO ESTÁ O QUADRO ATÉ AGORA

Nas primeiras horas após o primeiro turno, o cenário pode ser resumido desta maneira:

Romeu Zema (Novo): declarou que estará contra o PT no segundo turno, sem anunciar inicialmente pelo nome um apoio formal a Flávio Bolsonaro.

Ronaldo Caiado (PSD): não anunciou imediatamente apoio pessoal; o PSD decidiu manter neutralidade nacional e liberar suas lideranças.

Augusto Cury (Avante): declarou que não apoiará nenhum dos dois candidatos.

Renan Santos (Missão): não declarou apoio e manteve críticas aos dois campos políticos.

Para os demais candidatos, novas manifestações partidárias e pessoais ainda poderão ocorrer durante os próximos dias.

ARTICULAÇÕES DEVEM MARCAR INÍCIO DO SEGUNDO TURNO

Com a diferença apertada registrada no primeiro turno, Lula e Flávio Bolsonaro entram agora em uma nova fase da campanha, marcada por negociações com partidos, governadores, parlamentares e candidatos que ficaram fora da disputa presidencial.

As primeiras declarações mostram, porém, que nem todos os presidenciáveis derrotados pretendem escolher imediatamente um dos dois lados.

Entre apoios formais, neutralidades partidárias e decisões individuais, o mapa político do segundo turno ainda deverá passar por mudanças até a votação de 25 de outubro.  


 Por Marcos Soares — Jornalista e Analista Político