O Banco Central do Brasil (BC) encerrou o exercício de 2025 com prejuízo de R$ 119,97 bilhões, resultado impactado principalmente pela valorização do real frente ao dólar ao longo do período. O balanço foi divulgado após aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN) nesta quinta-feira (26).
A autoridade monetária está sob a presidência do economista Gabriel Galípolo, e informou que o resultado negativo foi integralmente coberto pela reserva de resultados da instituição, mecanismo previsto para absorver oscilações contábeis e evitar impacto direto imediato nas contas públicas.
O CMN, responsável por validar as demonstrações financeiras do Banco Central, é composto pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento), além do próprio presidente do BC. O colegiado aprovou os números em um contexto de forte volatilidade cambial e mudanças no ambiente econômico internacional.
Impacto cambial
Segundo o Banco Central, o resultado foi influenciado sobretudo pela apreciação do real frente ao dólar, que reduz o valor, em reais, das reservas internacionais mantidas pela instituição. Como essas reservas são majoritariamente denominadas em moeda estrangeira, a valorização da moeda brasileira tende a gerar perdas contábeis.
O BC destacou, em nota oficial, que o objetivo de suas operações não é a geração de lucro, mas o cumprimento de suas atribuições institucionais, como o controle da inflação, a estabilidade do sistema financeiro e a execução da política monetária.
“É importante ressaltar que todas as operações que o BC realiza visam o alcance dos seus objetivos institucionais e não a obtenção de lucro. Dessa forma, a apuração de resultados positivos ou negativos decorrem das condições gerais da economia nacional e internacional e da necessidade de atuação do BC junto ao sistema financeiro para o cumprimento da sua missão”, informou a autoridade monetária.
Reserva de resultados evita impacto imediato
O prejuízo foi absorvido pela chamada reserva de resultados, formada em anos anteriores quando houve ganhos contábeis — geralmente associados à desvalorização do real, que eleva o valor das reservas internacionais em moeda local.
Com isso, não haverá necessidade imediata de transferência de recursos do Tesouro Nacional para cobrir o rombo. Especialistas destacam que oscilações dessa natureza são recorrentes em instituições que administram grandes volumes de ativos em moeda estrangeira e fazem parte da dinâmica operacional de bancos centrais ao redor do mundo.
O resultado de 2025 reforça o caráter contábil das variações patrimoniais do Banco Central, em um cenário global marcado por incertezas, ajustes nas taxas de juros internacionais e movimentos expressivos nos mercados de câmbio.

