Hoje o Brasil entra em campo contra a Escócia pela terceira rodada da Copa do Mundo de 2026. E eu faço uma pergunta simples ao torcedor brasileiro: você acredita mesmo nesta seleção?
Eu confesso que ainda não, posso até mudar de ideia, mas até agora nada observei de positivo para acreditar.
Vejo um time sem identidade, sem um sistema de jogo claramente definido, com jogadores rendendo muito menos do que apresentam em seus clubes na Europa. Parece um conjunto de talentos espalhados pelo gramado, mas não exatamente uma equipe.
O futebol moderno exige organização. A maior parte do jogo acontece sem a bola. É ocupar espaços, pressionar, fechar linhas de passe, entender o momento de acelerar e o momento de controlar a partida. E justamente aí o Brasil tem sofrido.
Quando perde a posse, demora a reagir. Quando recupera, muitas vezes não sabe o que fazer com ela.
Alguns dizem que é desgaste de final de temporada europeia. Pode até ser uma explicação parcial. Mas não explica tudo.
O problema parece mais profundo.
O Brasil, que durante décadas foi uma fábrica inesgotável de craques, já não produz talentos na mesma velocidade. Os grandes nomes surgem cada vez mais raramente. Recentemente Estevão foi vendido pelo Palmeiras, assim como o Endrick, o Vasco se desfez de Rayan, mas a renovação não acontece na intensidade que já aconteceu em outras épocas.
Enquanto isso, os clubes brasileiros buscam talentos em outros países, principalmente na América do Sul, com objetivo de suprir suas carências técnicas.
Quando olhamos para as seleções do passado e comparamos com a atual, a diferença é evidente. Falta criatividade, falta ousadia, falta um sistema de jogo coletivo, e principalmente, falta aquele jogador capaz de mudar uma partida sozinho.
E aí aparece sempre o nome de Neymar.
Neymar continua sendo tratado como o líder técnico da equipe. Mas o tempo passou. Não é mais aquele garoto que encantava o mundo ao lado de Messi e Suárez no Barcelona. As lesões se acumularam, a sequência de jogos diminuiu e a dúvida permanece: se jogar hoje, em que condição estará? Em qual momento vai entrar na partida? E se vai entrar.
O Brasil provavelmente vai passar da fase de grupos. A camisa pesa, a tradição ajuda e a qualidade individual ainda existe.
Mas e depois?
Depois, meu amigo, só Deus sabe.
Talvez seja a hora de o futebol brasileiro voltar às origens. Investir mais na formação, nas escolinhas, no futsal, na criatividade do jogador brasileiro. Porque foi dali que nasceram muitos dos gênios que encantaram o planeta.
A seleção ainda pode crescer na Copa?
Pode. Pode até levantar o título, pois no futebol, tudo pode acontecer.
Mas, até aqui, está devendo futebol, e muito.
Chego a pensar se não esta faltando o uniforme verde e amarelo, será?
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Pronto, falei, toca o barco.
Josafá Gomes – Blog ShowZafá

