O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recusou a solicitação apresentada pela China para participar das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). A decisão foi formalizada antes da reunião marcada para a próxima sexta-feira (25), em Genebra, na Suíça, quando representantes brasileiros e norte-americanos deverão discutir as tarifas adicionais impostas por Washington a produtos nacionais.

O encontro faz parte de um procedimento iniciado pelo governo brasileiro em 27 de julho de 2026, quando o país apresentou uma contestação formal à OMC contra duas medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos com fundamento na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana de 1974.

O Brasil questiona uma sobretaxa de 25%, estabelecida após uma investigação sobre determinadas práticas comerciais brasileiras, e outra de 12,5%, decorrente de uma apuração relacionada ao combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. As medidas possuem exceções específicas e podem representar uma cobrança adicional de 37,5% sobre determinados produtos brasileiros.

Estados Unidos rejeitam participação chinesa

A China apresentou, em 6 de agosto, um pedido para integrar as consultas, alegando possuir interesse comercial substancial na controvérsia. O governo chinês argumentou que as medidas tarifárias norte-americanas também afetam suas exportações e as condições de concorrência no mercado dos Estados Unidos.

Entretanto, Washington contestou a justificativa apresentada por Pequim.

Em sua manifestação à OMC, a administração Trump sustentou que o procedimento aberto pelo Brasil trata exclusivamente de medidas relacionadas a produtos brasileiros, sem envolver diretamente mercadorias chinesas ou políticas comerciais adotadas pela China.

Com base nas regras do mecanismo de solução de controvérsias da organização, os Estados Unidos rejeitaram a participação chinesa nesta etapa das discussões.

Brasil mantém contestação contra tarifas norte-americanas

Apesar da decisão de Washington, o procedimento iniciado pelo governo brasileiro permanece em andamento.

O Ministério das Relações Exteriores sustenta que as tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos são injustificadas e incompatíveis com compromissos comerciais assumidos pelo país no âmbito da OMC.

A posição brasileira é de que as medidas violam disposições do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) e normas internacionais relacionadas à solução de disputas comerciais.

As consultas previstas para sexta-feira representam a primeira etapa formal do processo e têm como objetivo permitir que Brasil e Estados Unidos apresentem seus argumentos e busquem uma solução negociada.

Caso não seja alcançado um entendimento, o Brasil poderá solicitar a formação de um painel de especialistas para examinar a compatibilidade das tarifas norte-americanas com as regras da organização.

Impasse comercial permanece sem solução imediata

A exclusão da China das consultas ocorre em um cenário de divergências comerciais entre as três economias e mantém a discussão formal concentrada nos governos brasileiro e norte-americano.

A reunião de 25 de setembro, entretanto, não representa uma decisão definitiva sobre a legalidade das tarifas nem determina sua suspensão automática.

A expectativa de autoridades brasileiras, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, é de que o encontro tenha caráter predominantemente protocolar, sem perspectiva de uma solução imediata para o impasse.

Enquanto as negociações prosseguem, as medidas tarifárias continuam sendo objeto de contestação pelo Brasil, que busca uma solução para as restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos às exportações nacionais.