
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou denúncia à Justiça contra o vereador paulistano Senival Pereira de Moura (PT) e outras 20 pessoas investigadas por suposta participação em uma estrutura de lavagem de dinheiro que, segundo os promotores, teria beneficiado o Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da empresa de transporte coletivo Transunião.
A acusação é resultado das investigações da Operação Última Parada, deflagrada em junho pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo. De acordo com a apuração, a concessionária teria sido utilizada para ocultar e movimentar recursos provenientes de atividades criminosas.
Segundo a denúncia, Senival Moura exerceria influência sobre decisões administrativas e financeiras da Transunião mesmo sem aparecer formalmente como controlador da companhia. Os investigadores sustentam que o vereador integraria uma estrutura paralela de comando responsável por decisões relevantes da empresa.
Documentos e comunicações analisados durante a investigação teriam identificado referências ao parlamentar por diferentes apelidos e expressões. Para os investigadores, as conversas indicariam que determinadas operações financeiras e decisões internas dependiam de sua participação ou aprovação.
Senival foi preso em 25 de junho, durante a operação que atingiu integrantes e pessoas ligadas à administração da Transunião. Posteriormente, deixou a prisão após decisão judicial e passou a responder ao caso em liberdade.
Outros nomes aparecem na denúncia
Entre os demais denunciados estão Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, apontado pelas autoridades como participante da estrutura investigada; Leonel Moreira Martins, citado como operador financeiro; Lourival de França Monário, diretor-presidente da Transunião; e Devanil de Souza Nascimento, o “Sapo”, descrito pela investigação como pessoa próxima ao núcleo atribuído ao vereador.
As autoridades também investigaram conexões do caso com a morte de Adauto Soares Jorge, ex-dirigente da Transunião assassinado em 2020. Parte do material que deu origem às apurações teria sido obtida durante as investigações sobre o homicídio.
Segundo o Ministério Público, a estrutura empresarial teria permitido a circulação de recursos de forma aparentemente regular, enquanto, na avaliação dos investigadores, parte do dinheiro teria origem em atividades ilícitas. A denúncia agora será analisada pelo Judiciário, que decidirá sobre o prosseguimento da ação penal.
Defesa nega envolvimento
A defesa de Senival Moura rejeita as acusações e afirma que o parlamentar não integra organização criminosa e nunca manteve vínculo com o PCC.
Em manifestação divulgada à imprensa, o advogado Márcio Sayeg afirmou que o vereador também nega participação em qualquer mecanismo destinado a lavar ou ocultar recursos provenientes de crimes.
A defesa acrescentou que Senival continua colaborando com as autoridades e sustenta que a avaliação das provas ao longo do processo demonstrará sua inocência.
A apresentação da denúncia pelo Ministério Público representa uma acusação formal e não equivale a uma condenação. Os fatos atribuídos aos investigados ainda serão submetidos ao contraditório e à análise da Justiça.



