Uma operação deflagrada nesta terça-feira (22) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), em conjunto com o 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), resultou na prisão de seis pessoas suspeitas de integrar um esquema de fraudes financeiras que teria provocado prejuízos milionários a investidores de diferentes estados brasileiros.

Entre os detidos na Operação Paládio estão a consultora de investimentos Graciane Micucci, seu marido, o soldado da Polícia Militar Ricardo Salles Gasparini Patini, e Caroline Yasmin Micucci, filha da empresária.

As investigações, conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apontam que os suspeitos estariam envolvidos na captação de recursos por meio de investimentos fraudulentos, além de possíveis operações destinadas à lavagem de dinheiro.

Empresa de investimentos está no centro das investigações

De acordo com o Ministério Público, o esquema teria sido estruturado a partir da Ateena Novos Negócios, empresa comandada por Graciane Micucci e instalada em um edifício comercial no bairro Cambuí, uma das regiões mais valorizadas de Campinas, no interior paulista.

A companhia mantinha sua sede no local desde dezembro de 2024 e oferecia oportunidades de investimento apresentadas aos clientes como aplicações seguras e de elevada rentabilidade.

Entre os produtos divulgados estavam supostas operações relacionadas ao mercado imobiliário, ao agronegócio e à BFL Administração de Recursos, empresa que também figura entre os alvos da Operação Carbono Oculto.

Segundo os investigadores, a apresentação dessas oportunidades financeiras fazia parte de uma estratégia que buscava transmitir credibilidade aos potenciais investidores.

As apurações tiveram início após denúncias apresentadas por clientes que relataram prejuízos próximos de R$ 1 milhão. Com o avanço das investigações, as autoridades identificaram indícios de que o esquema poderia ter atingido dezenas de pessoas em diferentes regiões do país.

Exposição nas redes sociais e na televisão ajudava a atrair investidores

Outro aspecto investigado pelo Ministério Público é a maneira como os suspeitos utilizavam a imagem pública da empresa para conquistar a confiança dos clientes.

A Ateena Novos Negócios mantinha intensa atividade nas redes sociais e participava de programas de televisão, nos quais divulgava seus serviços e apresentava resultados associados às atividades da companhia.

Para os investigadores, a estrutura empresarial, a localização da sede e a exposição dos responsáveis em diferentes canais de comunicação contribuíam para transmitir uma imagem de solidez às operações oferecidas.

A suspeita é de que essa estratégia tenha facilitado a captação de recursos de investidores que acreditavam estar contratando aplicações financeiras legítimas.

Policial militar também é investigado por participação na gestão da empresa

Ricardo Salles Gasparini Patini, marido de Graciane e integrante da Polícia Militar de São Paulo, foi preso pela Corregedoria da corporação.

Conforme as informações da investigação, o militar é suspeito de participar da administração da Ateena Novos Negócios, apesar de sua atuação profissional na área de segurança pública.

Patini também aparecia em fotografias e vídeos promocionais divulgados pela empresa nas redes sociais, material que integra o contexto analisado pelos investigadores.

Caroline Yasmin Micucci, filha de Graciane, também está entre os presos. Segundo o Ministério Público, ela participava de atividades relacionadas à companhia e aparecia em campanhas publicitárias utilizadas para promover os serviços financeiros oferecidos aos clientes.

A participação de cada investigado nas supostas irregularidades deverá ser individualizada ao longo das apurações.

Investigação apura destino dos recursos e possível lavagem de dinheiro

Além das suspeitas de fraude contra investidores, as autoridades procuram identificar a movimentação dos valores captados pela empresa e verificar se houve utilização de mecanismos destinados a ocultar a origem ou o destino dos recursos.

A Operação Paládio busca esclarecer a estrutura de funcionamento do suposto esquema, identificar os responsáveis pelas operações investigadas e dimensionar os prejuízos causados às vítimas.

As prisões representam uma etapa da investigação e não constituem, por si só, comprovação de culpa. Os suspeitos têm direito à ampla defesa e ao contraditório durante o andamento dos procedimentos judiciais.

Até o momento, as informações apresentadas não incluem manifestações das defesas dos investigados sobre as acusações.