
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) analisa nesta sexta-feira, 25 de setembro, um procedimento que poderá definir se será aberta investigação sobre a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em processos relacionados ao Banco Master que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).
A sessão extraordinária foi convocada para examinar a Notícia de Fato PGR-00385698/2026. Segundo o próprio Ministério Público Federal, o objetivo é verificar se existem elementos suficientes para aprofundar a apuração sobre a atuação de Gonet, especialmente em relação às Petições 15.556/DF e 16.662/DF, ambas em tramitação no Supremo.
O procedimento ganhou relevância após a divulgação de mensagens obtidas pela Polícia Federal a partir do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Parte do material contém referências ao nome do procurador-geral e registros de contatos intermediados pelo advogado Ciro Soares. Documentos da investigação também registram um encontro entre Gonet e Vorcaro em Londres, em abril de 2024.
Uma fotografia recuperada durante as investigações mostra Gonet e Vorcaro durante uma confraternização na capital britânica. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da imagem, mas sustenta que o registro ocorreu em um evento com a presença de outras autoridades e não demonstra, por si só, uma relação de proximidade entre o chefe da PGR e o então controlador do Banco Master.
Conselho avaliará necessidade de investigação
Um dos pontos em discussão é se as circunstâncias reveladas pelos documentos justificariam eventual declaração de suspeição ou impedimento de Gonet na condução de procedimentos relacionados ao Banco Master.
O Conselho também poderá decidir pela designação de um subprocurador-geral da República para conduzir eventual investigação sobre possível prática de crime comum atribuída ao procurador-geral. Caso o colegiado conclua que os elementos disponíveis não justificam o aprofundamento da apuração, o procedimento poderá ser arquivado.
Por estar diretamente envolvido no processo analisado, Gonet não participa da votação. O procedimento tem como relator o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Vieira Sanseverino.
Gonet nega amizade com Vorcaro
Em manifestação encaminhada ao relator, Paulo Gonet rejeitou a existência de amizade ou vínculo pessoal com Daniel Vorcaro e afirmou não possuir interesse particular nos processos envolvendo o empresário.
Segundo a versão apresentada pelo procurador-geral, o contato presencial com Vorcaro ocorreu durante um evento jurídico realizado em Londres em abril de 2024, com a participação de outras autoridades e convidados. Gonet sustenta que não manteve relação de proximidade com o empresário e contesta interpretações de que o encontro possa comprometer sua imparcialidade.
A defesa do procurador-geral também argumenta que a participação em um evento do qual esteve presente um empresário que posteriormente passou a ser investigado não constitui, isoladamente, fundamento suficiente para caracterizar suspeição.
Mensagens da PF estão no centro da controvérsia
As discussões no Conselho ocorrem em meio à repercussão de um relatório da Polícia Federal produzido a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro. O documento reúne mensagens, fotografias e registros envolvendo autoridades e pessoas relacionadas ao Banco Master e integra material levado ao STF.
A existência de citações ou registros de encontros, entretanto, não comprova por si só a prática de irregularidades. É justamente a existência — ou não — de elementos suficientes para justificar uma investigação formal sobre a atuação do procurador-geral que está sob análise do Conselho Superior.
A sessão começou às 10h desta sexta-feira. Até a última atualização das fontes consultadas, o foco do colegiado permanecia na admissibilidade da apuração e na definição sobre eventual designação de outro membro do Ministério Público Federal para analisar o caso.



