O Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com a Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira (28) mais uma fase da Operação Carbono Oculto. A ação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis que teria ligação com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Batizada de “Fluxo Oculto”, a nova etapa da operação mobilizou equipes em cinco estados brasileiros. Ao todo, estão sendo cumpridos cerca de 60 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
De acordo com os investigadores, organizações criminosas utilizavam fintechs, empresas de fachada e contas bancárias em nome de terceiros para movimentar recursos de origem ilícita e ocultar patrimônio. Relatórios de inteligência financeira apontam movimentações consideradas suspeitas que somam aproximadamente R$ 3,86 bilhões.
As apurações também revelaram a atuação da chamada “máfia do nafta”, esquema responsável pelo desvio de solventes petroquímicos com tributação reduzida para adulteração de gasolina comercializada ao consumidor final. Segundo o Ministério Público, a prática gerava lucro elevado ao grupo criminoso, além de causar prejuízos aos cofres públicos e riscos aos consumidores.
Ainda conforme a investigação, o PCC apareceria como beneficiário indireto das operações financeiras, utilizando a mesma estrutura empresarial e bancária para circulação de dinheiro ilegal e ocultação de ativos.
Entre os mecanismos identificados pelas autoridades estão o uso de “contas-bolsão” em fintechs, empresas fantasmas, laranjas e transferências rápidas entre diferentes plataformas financeiras para dificultar o rastreamento dos valores.
Os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, apelidado de “Beto Louco”, apontados como líderes do esquema investigado, seguem foragidos desde operações anteriores realizadas em 2025.
O Ministério Público informou que as investigações continuam e que novas diligências poderão ser realizadas nos próximos dias para aprofundar a apuração sobre o suposto braço financeiro da organização criminosa.

