Os registros de prestação de contas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que o PSDB Nacional e o PSD de Minas Gerais desembolsaram, juntos, cerca de R$ 1,1 milhão para contratar serviços da empresa CNM Aviação, pertencente à empresária Juliana Costa Nobre Magalhães, denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF) por suposta participação em uma organização criminosa investigada por tráfico internacional de drogas.
De acordo com a denúncia apresentada pelo MPF, Juliana teria exercido a função de “gerente-executiva” do grupo criminoso investigado na Operação Flight Level, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura um esquema de envio de cocaína para a Europa e aponta seu irmão, Leonardo Costa Nobre, como um dos principais integrantes da organização. Ambos são citados pelos investigadores como pessoas ligadas à traficante Karina Campos, apontada pelas autoridades como uma das maiores exportadoras de cocaína do país.
Os dados disponíveis no repositório oficial do TSE indicam que o PSDB Nacional efetuou pagamentos que somam aproximadamente R$ 551,7 mil à CNM Aviação entre abril e maio de 2022, período em que a legenda era presidida pelo ex-deputado federal Bruno Araújo.
Já o PSD de Minas Gerais aparece com despesas de cerca de R$ 555,4 mil realizadas principalmente entre maio e setembro de 2022, durante a campanha eleitoral daquele ano. Além disso, há registro de uma nova contratação no valor de R$ 22,2 mil em junho de 2023.
As informações financeiras constam na base pública do Tribunal Superior Eleitoral e foram obtidas por meio da análise dos registros de prestação de contas.
A CNM Aviação foi constituída em 2021, pouco tempo após a deflagração da Operação Flight Level. Segundo as investigações, a empresa passou a operar no mesmo hangar anteriormente utilizado pela BHZ Táxi Aéreo, empresa ligada a Leonardo Costa Nobre.
Ainda conforme a investigação, em 2020, quando o espaço era utilizado pela BHZ Táxi Aéreo, uma carga de 175 quilos de cocaína, cuja origem teria sido o mesmo hangar, foi apreendida no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, Portugal.
Até o momento, os registros públicos demonstram a existência das contratações e dos pagamentos realizados pelos partidos. A denúncia do Ministério Público Federal contra Juliana Costa Nobre Magalhães ainda depende de julgamento definitivo, sendo garantidos aos investigados o direito ao contraditório e à ampla defesa.


