O Banco Central anunciou a implementação do MED 2.0 (Mecanismo Especial de Devolução), uma atualização que promete endurecer o combate a golpes e fraudes envolvendo o PIX. A nova versão permite que instituições financeiras rastreiam transações em cadeia, mesmo quando o dinheiro desviado passa por diversas contas de laranjas em poucos minutos — prática comum entre quadrilhas especializadas.
Com a mudança, os bancos poderão seguir o rastro completo do valor, bloquear recursos ao longo das contas intermediárias e acelerar o processo de recuperação. O prazo máximo para devolução em casos de fraude, golpe ou coerção física caiu para até 11 dias, e o pedido poderá ser feito diretamente pelo aplicativo da instituição financeira, sem necessidade de ligações ou atendimentos adicionais.
Segundo o BC, o mecanismo foi responsável pela recuperação de mais de R$ 1,5 bilhão nos últimos cinco anos, número que, embora expressivo, também evidencia a dimensão do problema e a demora do governo em enfrentar as falhas estruturais no sistema de segurança digital do país.
Apesar de comemorada por especialistas em segurança e por usuários que enfrentam a escalada de golpes, a novidade reacendeu debates sensíveis sobre privacidade e vigilância financeira. Parlamentares da oposição afirmam que o sistema, embora necessário, amplia o poder de monitoramento estatal sobre transações privadas — um movimento que, segundo eles, deveria ser acompanhado de maior transparência e limites legais claros.
O deputado federal Nikolas Ferreira, crítico frequente das políticas digitais do governo, voltou a acusar o Executivo de agir com atraso. Nas redes sociais, afirmou que “finalmente o Banco Central reconheceu o que eu vinha avisando”, em referência à insuficiência do rastreamento anterior, que permitia que quadrilhas “pulverizassem” o dinheiro em minutos.
Analistas independentes também apontam que, embora a medida seja positiva, o Governo Federal vinha postergando ajustes técnicos essenciais, mesmo diante do aumento dos golpes envolvendo PIX desde 2021. Segundo especialistas, faltou iniciativa política para priorizar a segurança digital em meio a um cenário de explosão do uso do sistema de pagamentos.
Com o MED 2.0, o Banco Central dá um passo importante no aperfeiçoamento do PIX, mas a discussão sobre até que ponto o governo deve ampliar seu alcance sobre as transações financeiras permanece aberta. Críticos defendem que mais poder de rastreamento deve vir acompanhado de mecanismos robustos de fiscalização, evitando que a ampliação das ferramentas de controle seja usada de forma abusiva.
Enquanto o governo comemora os números de recuperação financeira, opositores insistem que o avanço só ocorreu após forte pressão pública e após anos de denúncias sobre vulnerabilidades no sistema.
O PIX segue como a principal forma de pagamento eletrônico do país — e, agora, também como mais um campo de disputa política entre segurança, eficiência e privacidade.








