Eleição suplementar de Itaguaí pode ter disputa reduzida após desistências e impugnaçõe

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A eleição suplementar para a Prefeitura de Itaguaí entrou em uma nova fase após uma sequência de desistências, decisões judiciais e pedidos de impugnação que podem reduzir significativamente o número de candidatos que efetivamente chegarão às urnas no próximo dia 25 de outubro.

Inicialmente, seis candidaturas haviam sido apresentadas à Justiça Eleitoral: Haroldinho (PDT), Luciano Mota (PT), Alexandre Valle (PL), Dr. Helinho (PRD), Kelaine Goulart (Novo) e Marcelo Cunha (Democrata). Nas últimas semanas, porém, esse cenário começou a mudar.

Uma das principais baixas foi Alexandre Valle. O ex-deputado federal e candidato do PL anunciou oficialmente a renúncia à disputa, alegando questões pessoais e familiares. Apesar da saída da corrida eleitoral, Valle afirmou que pretende continuar participando da política municipal.

A situação de Dr. Helinho também sofreu uma mudança importante. A Justiça Eleitoral rejeitou o registro da Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade, após considerar irregular o processo de realização da convenção que havia escolhido Dr. Helinho como candidato a prefeito e Chiquinho do Transporte como vice.

A decisão é de primeira instância e ainda pode ser questionada por meio de recurso ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Portanto, a situação da chapa ainda pode sofrer alterações até uma definição definitiva.

Kelaine e Luciano enfrentam questionamentos

A candidatura de Kelaine Goulart também passou a enfrentar obstáculos na Justiça Eleitoral. Ela é alvo de ações de impugnação apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral e pelo diretório municipal do PSD.

Os questionamentos ainda dependem da análise da Justiça Eleitoral e não significam, neste momento, que a candidata esteja definitivamente fora da eleição. Kelaine tem direito à defesa e aos recursos previstos na legislação.

Situação semelhante envolve Luciano Mota. O Ministério Público Eleitoral pediu o indeferimento do registro de sua candidatura e a Justiça determinou a citação do candidato para apresentar defesa no processo.

Também nesse caso, não há decisão definitiva de exclusão da disputa. Caberá à Justiça Eleitoral analisar os argumentos apresentados pelas partes antes de decidir sobre a validade do registro.

Haroldinho e Marcelo Cunha ganham centralidade

Com a redução do número de candidaturas sem obstáculos imediatos, Haroldinho e Marcelo Cunha passam a ocupar posição ainda mais central no tabuleiro político de Itaguaí.

Haroldo Jesus Neto, o Haroldinho, atualmente exerce interinamente o comando da Prefeitura e tenta permanecer no cargo por meio do voto popular. Ele assumiu o Executivo após o afastamento do prefeito eleito em 2024, cujo registro foi definitivamente rejeitado pela Justiça Eleitoral pela configuração de terceiro mandato consecutivo. A decisão levou o TSE a determinar a realização de uma nova eleição no município.

A condição de prefeito interino coloca Haroldinho na disputa com maior exposição administrativa e política. Ao mesmo tempo, sua gestão deverá ser alvo de questionamentos durante a campanha.

Uma das questões envolve contratações realizadas sem licitação durante período em que esteve à frente da Prefeitura. Reportagem publicada em 2025 informou que a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) investigava uma contratação de aproximadamente R$ 25 milhões e apontava que o município havia realizado mais de R$ 130 milhões em contratações por dispensa de licitação no período mencionado. A existência de investigação, entretanto, não representa condenação ou comprovação de irregularidade por parte do prefeito.

Outro tema que pode surgir durante a campanha envolve os recursos previdenciários municipais aplicados no Banco Master. Registros oficiais da própria Câmara apontam discussões sobre um aporte de R$ 60 milhões realizado pelo Itaprevi. Em novembro de 2025, inclusive, a Câmara aprovou indicação de autoria de Haroldinho recomendando a exoneração da diretoria do instituto e cobrando esclarecimentos sobre a operação.

Os episódios deverão alimentar o debate político sobre fiscalização, responsabilidade administrativa e transparência, sempre respeitando o princípio de que eventuais responsabilidades individuais dependem de investigação e decisão das autoridades competentes.

Marcelo Cunha tenta ocupar espaço de alternativa

Marcelo Cunha aparece, até o momento, em situação diferente. Não há, nas informações públicas consultadas, decisão conhecida de indeferimento ou ação de impugnação com os mesmos efeitos observados em algumas das demais candidaturas.

Estreante em uma eleição para o Executivo municipal, o jornalista tenta se apresentar ao eleitorado como alternativa aos grupos políticos que administraram ou participaram diretamente do comando de Itaguaí nos últimos anos.

Com outros concorrentes enfrentando desistências ou disputas judiciais, sua candidatura pode ganhar maior espaço político e visibilidade durante as próximas semanas de campanha.

Eleição ainda pode mudar

O cenário, entretanto, está longe de ser definitivo.

A renúncia de Alexandre Valle já representa uma redução concreta no quadro inicialmente apresentado, enquanto Dr. Helinho ainda pode recorrer da decisão que atingiu sua chapa. Kelaine Goulart e Luciano Mota, por sua vez, aguardam o andamento dos processos envolvendo seus registros.

Dependendo das decisões da Justiça Eleitoral e das possibilidades legais de substituição de candidatos, a disputa pode chegar ao dia da votação com um número bem menor de concorrentes do que os seis inicialmente registrados.

Caso apenas uma candidatura permaneça regularmente registrada, a legislação brasileira não determina o cancelamento da eleição pela inexistência de adversário. A votação pode ocorrer normalmente e votos brancos, nulos ou abstenções não são contabilizados como votos válidos capazes de impedir automaticamente a eleição do candidato remanescente.

Até que todos os processos sejam julgados e eventuais recursos sejam analisados, porém, qualquer previsão sobre o número definitivo de candidatos precisa ser feita com cautela.

O que já está consolidado é que a eleição suplementar de Itaguaí, marcada para 25 de outubro de 2026, entrou em uma etapa decisiva, marcada por renúncia, questionamentos judiciais e uma reorganização acelerada das forças políticas que disputam o comando da Prefeitura até o final de 2028.