O procurador-geral da República, Paulo Gonet, e familiares dele aparecem ao menos 33 vezes nos documentos que integram as investigações do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O conteúdo das apurações teve o sigilo levantado nesta terça-feira (1º/9).
Na tarde de segunda-feira (31/8), Gonet pediu a nulidade das investigações. Segundo o procurador-geral, o ministro André Mendonça, relator do caso, não teria autorização do plenário do STF para conduzir apurações que envolvessem outro integrante da Corte — no caso, o ministro Alexandre de Moraes.
Na manifestação, Gonet afirmou que Mendonça tinha conhecimento de que Moraes estava entre as pessoas alcançadas pelas investigações.
“Sabia que entre elas estava o ministro Alexandre de Moraes. Não poderia deixar de o saber. O ato que determinou a investigação pela Polícia Federal data de 24 de agosto de 2026. Há muito que o relator estava com todas as peças que quis fossem detalhadas por escrito”, escreveu o PGR.
Mensagens e referências a Gonet
No relatório elaborado pela Polícia Federal, Paulo Gonet é identificado tanto pelo nome completo quanto pelas iniciais “PG”. A sigla aparece com frequência em conversas do advogado Ciro Soares, que prestava atendimento a Daniel Vorcaro e atuava na tentativa de viabilizar encontros do então proprietário do Banco Master com autoridades da República.
Em uma das ocorrências registradas na investigação, Gonet aparece em uma fotografia ao lado de Ciro Soares. A imagem foi enviada pelo advogado a Daniel Vorcaro em 15 de março de 2025, um sábado. Na fotografia, os dois estão em uma varanda, vestidos de maneira casual e usando óculos escuros.
Na sequência da imagem, Ciro Soares escreveu a Vorcaro: “Liga aqui. Ele quer falar com vc”.
Em outra conversa, de 28 de março, uma mensagem atribuída a Paulo Gonet e encaminhada por Ciro Soares a Vorcaro diz: “Que bom! Estou na torcida por vocês!”.
Na mesma troca de mensagens, Gonet teria escrito: “Já estou com saudades de você!” e informado que estava embarcando para Roma.
Posteriormente, Ciro Soares afirmou que Gonet viajaria com o grupo para Londres. Em seguida, encaminhou uma mensagem na qual o procurador-geral teria respondido: “Oba!!! Tomara que tenha charuto e Macallan!”.
No dia seguinte, porém, Gonet informou que não poderia participar do evento previsto em Londres e perguntou se o filho poderia representá-lo, conforme já havia sido divulgado pela coluna.
O evento, entretanto, acabou não sendo realizado.


