Uma pesquisa realizada pelo instituto AtlasIntel, em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo, revela que 85,1% dos entrevistados acreditam que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) possuem envolvimento direto no caso Banco Master. Os dados, divulgados nesta terça-feira, 22 de setembro, mostram o crescimento dessa percepção entre os brasileiros em meio às investigações relacionadas à instituição financeira e ao seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.

De acordo com o levantamento, somente 4,4% dos participantes afirmaram não acreditar no envolvimento direto de integrantes da Suprema Corte no caso. Outros 10,5% declararam não saber responder à pergunta.

Os números representam uma mudança expressiva em relação à pesquisa realizada em março deste ano, quando 66,1% dos entrevistados manifestaram a percepção de envolvimento direto de ministros do STF. Na ocasião, 14,9% responderam negativamente, enquanto 18,9% não souberam responder.

A comparação entre os dois levantamentos aponta um crescimento de 19 pontos percentuais na proporção de entrevistados que acreditam na existência de ligação direta entre integrantes do Supremo e o caso Banco Master.

Caso Banco Master amplia questionamentos sobre integrantes do Supremo

A divulgação da pesquisa ocorre em meio às investigações sobre o Banco Master, que trouxeram à tona informações sobre contatos e relações profissionais envolvendo Daniel Vorcaro e pessoas ligadas a integrantes do Supremo Tribunal Federal.

Documentos e mensagens obtidos pela Polícia Federal motivaram questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo membros da Corte, além de discussões sobre a condução dos procedimentos judiciais relacionados à instituição financeira.

Os episódios também provocaram manifestações de ministros, pedidos de esclarecimentos e debates internos sobre a atuação do tribunal nos processos relacionados ao caso.

É importante destacar que a percepção dos entrevistados sobre o envolvimento de ministros não constitui, por si só, comprovação de participação em irregularidades. A identificação de eventuais responsabilidades depende da análise das provas, da apuração individualizada dos fatos e dos procedimentos legais cabíveis.

O resultado da pesquisa, portanto, não permite concluir que os integrantes da Corte tenham praticado crimes ou participado de operações financeiras ilícitas.

Conhecimento sobre o caso chega a 99,7% dos entrevistados

Outro dado apresentado pela AtlasIntel demonstra a ampla repercussão do caso Banco Master entre os participantes da pesquisa.

Segundo o levantamento, 99,7% dos entrevistados afirmaram já ter ouvido falar do escândalo envolvendo a instituição financeira. Desse total, 82,6% declararam conhecer detalhes do caso, enquanto 17,1% disseram possuir pouco conhecimento sobre o assunto.

A elevada proporção de entrevistados que afirmam conhecer o episódio ajuda a contextualizar os resultados sobre a percepção pública das relações entre integrantes do Supremo e o Banco Master.

Entretanto, o conhecimento declarado pelos participantes não significa necessariamente que tenham acesso à íntegra dos documentos e das provas reunidas nas investigações.

Metodologia da pesquisa

O levantamento Atlas/Estadão ouviu 1.852 brasileiros entre os dias 17 e 21 de setembro de 2026, por meio de recrutamento digital aleatório.

A pesquisa apresenta margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

Os resultados retratam a percepção dos participantes no período pesquisado e não substituem as conclusões das investigações conduzidas pelas autoridades competentes.